Na Índia, Lula defende governança global da inteligência artificial liderada pela ONU
Por Hamurabi Dias | 19/02/2026 18:48 e atualizado em 19/02/2026
Foto: Ricardo Stuckert/PR
Resumo da notícia
- Durante cúpula em Nova DelhI, o presidente Luiz Inacio Lula da Silva defendeu que a governança da inteligência artificial seja liderada pela Organizacao das Nacoes Unidas (ONU), com modelo multilateral, inclusivo e voltado ao desenvolvimento.
- Lula destacou que, apesar dos benefícios da IA para a economia e serviços públicos, a tecnologia também pode ampliar desinformação, discursos de ódio e riscos à democracia, defendendo regras globais para mitigar esses impactos.
- O discurso ocorreu na Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial, parte do Processo de Bletchley, iniciado em Bletchley Park, no Reino Unido, em 2023.
Em discurso na Cúpula sobre o Impacto da inteligência Artificial, em Nova Délhi, na Índia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quinta-feira (19) um modelo de governança global da inteligência artificial liderada pela Organização das Nações Unidas (ONU).
“A Quarta Revolução Industrial avança rapidamente enquanto o multilateralismo recua perigosamente. É nesse contexto que a governança global da inteligência artificial assume um papel estratégico. Toda inovação tecnológica de grande impacto possui caráter dual e nos confronta com questões éticas e políticas.”
Em sua fala, Lula destacou a iniciativa chinesa de criação de uma organização internacional para cooperação em inteligência artificial, com foco em países em desenvolvimento, além da Parceria Global em Inteligência Artificial, desenvolvida no âmbito do G7 (o grupo das maiores economias do mundo) sob as presidências canadense e francesa.
“Mas nenhum desses foros substitui a universalidade das Nações Unidas para uma governança internacional da inteligência artificial que seja multilateral, inclusiva e orientada ao desenvolvimento”, avaliou o presidente.
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Lula acrescentou que a revolução digital e a inteligência artificial impactam positivamente a produtividade industrial, os serviços públicos, a medicina, a segurança alimentar e energética, mas também podem fomentar discursos de ódio, desinformação, pornografia infantil e feminicídio.
“Conteúdos falsos manipulados por inteligência artificial distorcem processos eleitorais e põem em risco a democracia. Os algoritmos não são apenas aplicações de códigos matemáticos que sustentam o mundo digital”, disse.
“O Brasil defende uma governança que reconheça a diversidade de trajetórias nacionais e garanta que a Inteligência Artificial fortaleça a democracia, a coesão social e a soberania dos países”, concluiu.
Entenda
A Cúpula sobre o Impacto da inteligência Artificial em Nova Délhi é o quarto encontro do chamado Processo de Bletchley, uma série de reuniões intergovernamentais sobre segurança e governança de inteligência artificial, iniciada em Bletchley Park, no Reino Unido, em novembro de 2023.
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