Operação Overclean: Polícia Federal investiga contrato de R$ 80 milhões e aponta ACM Neto como alvo
Por Yasmin Mota | 18/09/2026 11:41 e atualizado em 18/09/2026
Foto: Divulgação
Resumo da notícia
- A Polícia Federal apura possíveis irregularidades em contratos da Educação de Belo Horizonte que somam mais de R$ 80 milhões. A investigação analisa, entre outros pontos, a relação de ACM Neto com a indicação de Bruno Barral para a Secretaria de Educação da capital mineira.
- A PF solicitou autorização para realizar busca e apreensão contra ACM Neto, com parecer favorável da PGR. O ministro Kassio Nunes Marques, porém, negou a medida por considerar que não havia base legal suficiente. Neto não foi alvo dos mandados da décima fase da operação.
- O candidato ao governo da Bahia afirmou que não tem relação com os fatos investigados e classificou as informações divulgadas como tentativa de interferência eleitoral. A investigação segue apurando possíveis fraudes em licitações, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
O ex-prefeito de Salvador e candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), é apontado pela Polícia Federal (PF) como um dos principais alvos da investigação envolvendo contratos da Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte, no âmbito da Operação Overclean. A informação foi divulgada pela CNN Brasil.
De acordo com a emissora, a PF investiga contratos que somam mais de R$ 80 milhões e suspeita de direcionamento de licitações para o fornecimento de serviços e materiais didáticos entre 2024 e 2025. A décima fase da operação, deflagrada na última quinta-feira (17), cumpriu 24 mandados de busca e apreensão em seis estados, incluindo Bahia e Minas Gerais.
Os investigadores apuram se ACM Neto teve participação na indicação de Bruno Barral, que foi secretário de Educação durante a gestão do ex-prefeito em Salvador e posteriormente assumiu a mesma pasta em Belo Horizonte.
Sob a gestão de Barral na capital mineira, foram firmados ao menos três contratos com empresas ligadas ao empresário Alex Parente, por intermédio de José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”. Outros contratos também estão sob análise da PF.
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A investigação também identificou uma série de contatos entre ACM Neto e Marcos Moura. Segundo o UOL, a PF registrou mais de 200 conversas telefônicas entre os dois entre agosto e dezembro de 2024. Uma delas ocorreu em uma data na qual o empresário teria movimentado cerca de R$ 5 milhões em dinheiro vivo, segundo a investigação.
PF pediu busca contra ACM Neto
A Polícia Federal solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para realizar busca e apreensão contra ACM Neto. O pedido recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República, mas foi negado pelo ministro Kassio Nunes Marques, relator do caso.
O ministro considerou que não havia base legal suficiente para autorizar a diligência contra o candidato. Com isso, ACM Neto não foi alvo dos mandados cumpridos na décima fase da operação.
ACM Neto nega envolvimento com a Operação Overclean. Em nota enviada à imprensa, o ex-prefeito de Salvador disse que o episódio representa uma tentativa de interferência no processo eleitoral por meio da divulgação de “factoides e insinuações mentirosas e falsas”.
“Fica cada vez mais clara a tentativa de interferir no processo eleitoral com a criação e divulgação de factoides e insinuações mentirosas e falsas, através de vazamentos seletivos, que buscam associar indevidamente meu nome a situações que nunca tive envolvimento”, diz trecho da nota.
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