Os dirigentes do sistema impõem seu lema: livre mercado, mundo educado para consumir e existir sem questionar
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Os dirigentes do sistema impõem seu lema: livre mercado, mundo educado para consumir e existir sem questionar

Os dirigentes do sistema impõem seu lema: livre mercado, mundo educado para consumir e existir sem questionar Foto: Reprodução

Por Rosevaldo Ferreira*

Quando você entra no curso de Economia, logo tem contato com as escolas do pensamento econômico, e umas primeiras a serem estudadas é a dos Fisiocratas. Ela foi uma escola de pensamento econômico do século XVIII, principalmente influente na França, que defendia a agricultura como a principal fonte de riqueza e a importância da livre concorrência. A palavra “fisiocracia” vem do grego “physis” (natureza) e “kratos” (governo), indicando a ideia de um governo natural da economia. Os fisiocratas acreditavam que a economia funcionava de acordo com uma ordem natural, sem a necessidade de intervenção governamental. Defendiam a livre circulação de mercadorias e a liberdade de comércio, sem barreiras protecionistas ou regulamentações.

A expressão laissez-faire tem origem na França do século XVII e é atribuída aos fisiocratas, um grupo de economistas que defendiam a mínima intervenção do Estado na economia. A expressão completa teria sido “laissez faire, laissez passer, le monde va de lui-même” (“deixem fazer, deixem passar, o mundo anda por si mesmo”), simbolizando uma defesa da liberdade econômica e da não intervenção governamental nas atividades produtivas. A frase é frequentemente ligada a uma anedota envolvendo o ministro francês Jean-Baptiste Colbert, responsável pela política econômica do rei Luís XIV. Segundo relatos, ao perguntar a um grupo de comerciantes o que o governo poderia fazer para ajudá-los, um deles, Le Gendre, respondeu: “Laissez-nous faire” — ou seja, “deixe-nos fazer”, indicando que a melhor ajuda seria a ausência de interferência estatal.

No pensamento econômico, laissez-faire tornou-se sinônimo de livre mercado, sendo posteriormente incorporado pelo liberalismo clássico, especialmente na obra de Adam Smith e outros economistas britânicos do século XVIII e XIX. A ideia central é que a economia funciona melhor quando indivíduos e empresas são livres para tomar decisões econômicas sem regulação estatal excessiva. Em suma, a expressão tem raízes no pensamento fisiocrata francês, mas se consolidou como um pilar do liberalismo econômico ao longo dos séculos seguintes.

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Nos últimos dias, as medidas criadas e implementadas pelo Governo Trump, colocou em xeque os defensores do liberalismo econômico, traduzido para o bom baianês como deixar tudo a migué.

Verdade que aqui e ali se pinça uma crítica envergonhada, mas na sua maioria, os liberais brasileiros preferem ficar quase que completamente mudos, pois temos de admitir que apareceu um gaiato propondo congelar o salário mínimo. Eu pagava para ver numa economia aberta e sem intervenção estatal quem iria segurar as massas protestando contra os baixos salários. Mas o papo aqui é outro, livre mercado ou como cantam os versos da música Globalização da Tribo de Jah: “Os dirigentes do sistema impõem seu lema: Livre mercado, mundo educado para consumir e existir sem questionar”.

Como seria o Brasil em livre mercado, sem a intervenção estatal? Imagine all the people sem pagar impostos de nenhuma espécie. Só de ICMS, ficaríamos livres de 20%, mundo maravilhoso hem? Sem nenhum guarda de trânsito nos multando, poderíamos fazer entregas mais rápidas, pois o mercado estaria livre e justificada a infração. Poderíamos vender réplicas de marcas famosas como se fossem originais, poderíamos vender embalagens com 380 gramas, mas iríamos colocar apenas 300, certamente iríamos quebrar a concorrência. Mas, se eu fosse a dona da marca original e a quem iria recorrer pelo crime de falsificação? Se eu fosse o concorrente que vendesse a embalagem com 380 gr, a quem iria reclamar?

Livre mercado no do outros é refresco, quero ver você sofrer a concorrência desleal e não chorar. Pois com estes exemplos atualizados, a gente pode prever que iriamos demandar em pouco tempo a presença de uma entidade chamada Estado.

* Rosevaldo Ferreira é economista, professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), foi Diretor de Tributos da Prefeitura de Feira de Santana, Coordenador de Projetos do Sudic, Auditor Fiscal, Coordenador Regional da Agerba e Coordenador do Curso de Economia da UEFS.

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