Paranoia, tornozeleira e risco de fuga: STF decide destino de Jair Bolsonaro nesta segunda, 24
Por Yasmin Mota | 23/11/2025 23:18 e atualizado em 24/11/2025
Foto: Gustavo Moreno/STF
Resumo da notícia
- A juíza Luciana Yuki Sorrentino homologou a prisão de Jair Bolsonaro, afirmando que não houve irregularidades na operação. Bolsonaro admitiu ter mexido na tornozeleira por “paranoia” causada pela interação de medicamentos (Pregabalina e Sertralina), negando intenção de fuga ou rompimento do equipamento.
- Segundo o depoimento, Bolsonaro usou solda por volta de meia-noite, mas desistiu ao “cair na razão” e comunicou os agentes. Familiares presentes na residência não testemunharam o ato. Sobre a vigília convocada por Flávio Bolsonaro, ele afirmou que o local era distante e não poderia facilitar fuga.
- O STF deu prazo até 16h30 deste domingo para a defesa se manifestar sobre a violação da tornozeleira. Nesta segunda (24), a Primeira Turma do STF analisará a decisão de prisão preventiva determinada por Alexandre de Moraes, que apontou risco de fuga. O pedido de prisão domiciliar humanitária foi rejeitado.
Após audiência de custódia realizada no início da tarde deste domingo (23), a juíza auxiliar Luciana Yuki Fugishita Sorrentino homologou o cumprimento do mandado de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, constatando que não houve “qualquer abuso ou irregularidade por parte dos policiais”, conforme consta da decisão.
Na audiência, Bolsonaro confirmou que mexeu na tornozeleira eletrônica. O ex-presidente disse que “teve uma certa paranoia de sexta para sábado em razão de medicamentos que tem tomado receitados por médicos diferentes e que interagiram de forma inadequada”. Os medicamentos apontados são o anticonvulsivante Pregabalina e o antidepressivo Sertralina.
O réu afirmou ainda que “não tinha qualquer intenção de fuga e que não houve rompimento da cinta”.
Caiu na razão
Durante a audiência de custódia, o ex-presidente disse que tão logo recuperou a clareza mental, ele parou de mexer com a solda na tornozeleira eletrônica.
“Afirmou o depoente que, por volta de meia-noite, mexeu na tornozeleira, depois ‘caindo na razão’ e cessando o uso da solda, ocasião em que comunicou os agentes de sua custódia”, relata o documento com o depoimento de Jair Bolsonaro.
O ex-presidente confirmou que estava acompanhado de sua filha, de seu irmão mais velho e de um assessor que dormiam em sua residência e que nenhum deles testemunhou o uso do ferro de solda.
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Vigília
Sobre a vigília convocada por seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ex-presidente disse que “o local da vigília fica a setecentos metros da sua casa, não havendo possibilidade de criar qualquer tumulto que pudesse facilitar hipotética fuga”.
Segundo o Supremo Tribunal Federal (STF), o prazo para a defesa do ex-presidente se manifestar a respeito da violação da tornozeleira eletrônica termina neste domingo às 16h30.
Nesta segunda-feira (24), o STF irá analisar a decisão da prisão preventiva de Bolsonaro. O ministro do STF Flávio Dino convocou uma sessão virtual extraordinária da Primeira Turma para referendar a decisão.
Prisão preventiva
Bolsonaro foi preso preventivamente pela Polícia Federal (PF), neste sábado, após determinação de Moraes. Na decisão, o ministro do STF citou eventual risco de fuga diante da tentativa de Bolsonaro de violar a tornozeleira eletrônica e da vigília convocada pelo seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, nas proximidades da casa onde o ex-presidente cumpria prisão domiciliar.
Na sexta-feira (21), véspera da prisão, o ex-presidente usou uma solda para tentar abrir a tornozeleira eletrônica, o que gerou alerta para a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seap), responsável pelo monitoramento do equipamento. O ministro Alexandre de Moraes deu prazo de 24 horas para que a defesa se manifeste sobre a tentativa de violação.
A defesa do ex-presidente havia solicitado, também na sexta-feira, prisão domiciliar humanitária ao STF. O pedido foi rejeitado.
Com informações da Agência Brasil.
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