Pesquisadores da UEFS descobrem nova espécie de planta na Caatinga
Por Hamurabi Dias | 01/05/2026 16:05 e atualizado em 01/05/2026
Foto: Edvan Barbosa/Ascom/UEFS
Resumo da notícia
- O herbário da Universidade Estadual de Feira de Santana foi fundamental para a pesquisa, reunindo mais de 1,1 mil coletas do gênero Cenostigma e abrigando a nova espécie Cenostigma lewisii.
- O Herbário da Universidade Estadual de Feira de Santana é o maior do Nordeste e o quinto maior do Brasil, com quase 300 mil espécimes, destacando-se nas leguminosas.
- O estudo conta com financiamento de órgãos como Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, além de parcerias com instituições de pesquisa.
A Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) reafirma sua posição de liderança na pesquisa científica com a descrição de uma nova espécie vegetal: a Cenostigma lewisii. Popularmente conhecida como catingueira, a planta é um símbolo do bioma Caatinga, e sua identificação reforça o papel estratégico da universidade na produção de conhecimento sobre o patrimônio natural do Nordeste.
O achado é fruto de estudo científico desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Botânica (PPGBOT) da universidade. A pesquisa foi conduzida pelo estudante de doutorado do programa, Filipe Oliveira, sob a orientação do professor Luciano Paganucci, e colaboração dos pesquisadores Felipe Santos e Lamarck Rocha.
Cenostigma lewisii vinha sendo historicamente confundida com Cenostigma microphyllum (catingueira-de-folha-miúda). A diferenciação só foi possível graças aos estudos taxonômicos avançados realizados pelo grupo de pesquisa, que identificou a espécie nos estados da Bahia e de Pernambuco, especialmente em áreas de caatinga arenosa.
“Na pesquisa, utilizamos técnicas clássicas de taxonomia, unindo análises no Herbário da UEFS e expedições de campo. Realizamos medições morfológicas minuciosas e comparamos a planta com todas as espécies do gênero para identificar suas características únicas”, detalha Filipe Oliveira. Segundo o pesquisador, a nova espécie possui um porte menos ramificado e inflorescências maiores: “Em Cenostigma microphyllum, as glândulas são tão abundantes que a planta chega a ser pegajosa. Na nova espécie, essa quantidade é muito menor”.

Foto: Edvan Barbosa/Ascom/UEFS
Filipe Oliveira destaca ainda que a identificação da nova espécie é mais do que um avanço para a biodiversidade brasileira, é uma revelação de que biomas conhecidos ainda guardam segredos. “É gratificante descrever uma nova espécie. Fico feliz em contribuir para o conhecimento da Caatinga, especialmente com plantas do cotidiano local. Este trabalho simboliza meu crescimento, fruto da orientação do professor Luciano Paganucci e da parceria com Lamarck Rocha e Felipe Santos. Ver a Cenostigma lewisii publicada nove anos após meu primeiro contato com ela é especial e me motiva a tornar a ciência cada vez mais acessível”, celebra o pesquisador.
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O professor e colaborador da pesquisa, Lamarck Rocha, destaca que o achado faz um contraponto necessário ao senso comum de que não existem novas espécies em áreas próximas aos centros urbanos. “Essa espécie prova que temos uma flora riquíssima sendo revelada literalmente no ‘quintal de casa’. Além do valor científico, esse trabalho projeta a UEFS internacionalmente e fortalece o tripé ensino, pesquisa e extensão. É um esforço fortemente colaborativo, que une professores, técnicos e alunos em torno da urgência de conservar a nossa biodiversidade. Ver nossos estudantes protagonizando essas descobertas mostra que a universidade é pungente e essencial para a botânica brasileira”, ressalta o docente.
“Certidão de Batismo” da Planta
O professor Luciano Paganucci, explica que a publicação científica é a “certidão de nascimento” da planta, permitindo que ela passe a existir oficialmente para a comunidade internacional. “Uma vez a planta tendo um nome formal, ela poderá ser avaliada pelo Centro Nacional de Conservação da Flora para sabermos se corre risco de extinção. Esse registro permite que agências governamentais definam estratégias de proteção específicas para as áreas onde ela ocorre. Além disso, a identificação abre portas para que outros pesquisadores investiguem potenciais usos químicos ou farmacêuticos. Seguiremos estudando o gênero, pois acreditamos que a diversidade da nossa Caatinga é ainda maior do que a reconhecida hoje”, ressalta o pesquisador.

Foto: Edvan Barbosa/Ascom/UEFS
A homenagem no nome da espécie ao Dr. Gwilym Peter Lewis, referência mundial em Leguminosae, conecta a pesquisa produzida em Feira de Santana aos maiores centros de estudos botânicos do mundo, elevando o nome da UEFS no cenário global.
Acervo botânico da UEFS contribui para desenvolvimento do estudo
Grande parte do trabalho de pesquisa foi desenvolvido no Herbário da Universidade Estadual de Feira de Santana (HUEFS), que reúne mais de 1,1 mil coletas de Cenostigma e é hoje o herbário mais representativo para esse grupo de plantas. A oficialização da nova espécie está intrinsecamente ligada à essa infraestrutura da universidade. “Para a descrição ser válida, a planta precisa estar associada a um material tipo depositado em um herbário, e a Cenostigma lewisii está agora em nossa coleção”, conta o pesquisador Luciano Paganucci.
Vinculado ao Departamento de Ciências Biológicas (DCBio) da UEFS, o HUEFS atualmente é o maior do Nordeste e o quinto maior do Brasil. “Desde que integrei a curadoria, em 1986, vi o acervo saltar de 6 mil para quase 300 mil espécimes de plantas. Isso consolida nossa liderança, especialmente na família das leguminosas, que conta com 55 mil amostras na instituição”, diz Luciano Paganucci, que também é curador do Herbário da universidade.
A pesquisa conta com financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb) e apoio do Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio) da UEFS.
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