Presidente do PL admite plano de golpe do 8 de janeiro e prevê anistia a Jair Bolsonaro
Política

Presidente do PL admite plano de golpe do 8 de janeiro e prevê anistia a Jair Bolsonaro

Presidente do PL admite plano de golpe do 8 de janeiro e prevê anistia a Jair Bolsonaro Foto.: Beto Barata/ PL

Resumo da notícia

  • Presidente nacional do PL afirmou que houve articulação para impedir a posse de Lula após a eleição de 2022, mas disse que o plano não chegou a ser executado.
  • Valdemar afirmou que Flávio Bolsonaro concederia anistia ao pai e aos presos pelos atos de 8 de janeiro já no primeiro dia de um eventual governo.
  • Questionado sobre uma nova tentativa golpista, Valdemar respondeu que “pode haver planejamento”, mas afirmou que as consequências enfrentadas pelo ex-presidente impediriam uma nova ação. Também disse que Jair Bolsonaro teria influência política em um eventual governo do filho.

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, reconheceu que houve planejamento de uma tentativa de golpe de Estado após a derrota do então presidente Jair Bolsonaro (PL) para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2022. A declaração foi dada nesta quarta-feira (7), durante entrevista ao programa Timeline Gaúcha, da Rádio Gaúcha.

O dirigente também afirmou que o senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), concederia anistia ao pai e aos presos pelos atos de 8 de janeiro de 2023 já no primeiro dia de um eventual governo.

Valdemar reconhece planejamento de golpe

Questionado sobre a existência de uma articulação para impedir a posse de Lula, Valdemar afirmou que houve planejamento.

“Não tenha dúvidas. Quantos planejamentos você não faz e vê que depois que está errado e para no meio?”, declarou.

O presidente do PL, no entanto, diferenciou o planejamento da execução de uma ruptura institucional. Segundo ele, como o golpe não teria sido concretizado, não haveria crime.

“Discutiram de dar o golpe, mas não deram o golpe. E daí?”, afirmou.

A declaração diverge do entendimento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento da chamada trama golpista. Jair Bolsonaro foi condenado pela Corte a 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado e à abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Flávio Bolsonaro concederia anistia

Durante a entrevista, Valdemar também foi questionado sobre quais seriam as prioridades de um eventual governo de Flávio Bolsonaro e afirmou que o senador concederia anistia ao pai e a pessoas presas em decorrência dos atos de 8 de janeiro.

“Mas não tem dúvida, ele vai fazer no primeiro dia”, disse.

Em seguida, o dirigente citou especificamente os presos que, segundo ele, estariam detidos injustamente. “Uma anistia imediata para soltar esses 180 infelizes que estão presos”, declarou.

Questionado se a medida alcançaria todos eles, Valdemar respondeu: “No primeiro dia”.

Posteriormente, ao ser perguntado se a libertação de Jair Bolsonaro seria o principal objetivo da candidatura de Flávio, o presidente do PL afirmou que a prioridade seria “tocar o país para frente” e classificou a anistia como uma das ações que seriam adotadas.

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Valdemar volta a defender que planejamento não seria crime

Valdemar voltou a argumentar que o simples planejamento de uma ação criminosa, sem execução, não deveria resultar em punição.

“A lei diz o seguinte: você pode planejar um assassinato e você não assassinou o camarada e não atacou o camarada, não é crime”, afirmou.

O dirigente também mencionou os comandantes das Forças Armadas que teriam se oposto à execução de uma eventual ruptura institucional.

A avaliação apresentada por Valdemar, porém, contrasta com o entendimento adotado pelo STF no julgamento da trama golpista, que considerou a tentativa de ruptura institucional entre os crimes pelos quais Jair Bolsonaro foi condenado.

Nova articulação golpista em eventual governo de Flávio?

Valdemar também foi questionado sobre a possibilidade de uma nova articulação golpista em um eventual governo de Flávio Bolsonaro.

Inicialmente, o presidente do PL não descartou a hipótese.

“Sei lá, sei lá. Pode haver planejamento”, respondeu.

Na sequência, porém, Valdemar afirmou que não acredita que uma nova tentativa seria colocada em prática diante das consequências enfrentadas por Jair Bolsonaro.

“Isso deu certo? Olha o Bolsonaro o que está pagando. Você acha que alguém quer fazer isso? Nunca, jamais!”, declarou.

Bolsonaro teria influência política, diz Valdemar

Valdemar também afirmou que Jair Bolsonaro não ocuparia formalmente um cargo em um eventual governo do filho, mas continuaria exercendo influência política.

“Bolsonaro, logicamente, vai dar opinião no governo, não tenho dúvida disso. Mas não vai fazer parte do governo”, afirmou.

Segundo o presidente do PL, a participação de Jair Bolsonaro seria importante para a articulação política com prefeitos, governadores e apoiadores.

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