Produtora do filme ‘Dark Horse’ pagou ao menos quatro faturas de cartão de crédito do deputado Mário Frias
Por Hamurabi Dias | 12/09/2026 10:01 e atualizado em 12/09/2026
Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Resumo da notícia
- A produtora do filme “Dark Horse” pagou ao menos quatro faturas do cartão de crédito do deputado Mário Frias entre agosto e novembro de 2025, com valores de até R$ 36,8 mil.
- Os pagamentos aparecem na quebra de sigilo da investigação, que apura possíveis irregularidades envolvendo a produção da cinebiografia de Jair Bolsonaro e recursos públicos.
- O caso é investigado no STF em duas frentes, uma sobre possíveis desvios de emendas parlamentares e outra sobre repasses de Daniel Vorcaro relacionados ao senador Flávio Bolsonaro.
Registros de pagamentos da Go Up Entertainment, produtora de “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mostram que a empresa pagou ao menos quatro faturas de cartão de crédito do deputado federal Mário Frias (PL-SP) entre agosto e novembro de 2025.
Os valores variam de R$ 32,6 mil a R$ 36,8 mil.
• Fatura de 25/08/2025, paga em 22/08/2025 – R$ 32.604,39
• Fatura de 25/09/2025, paga em 25/09/2025 – R$ 34.164,08
• Fatura de 25/10/2025, paga em 21/10/2025 – R$ 33.242,21
• Fatura de 25/11/2025, paga em 19/11/2025 – R$ 36.857,35
As informações constam na quebra de sigilo das investigações relacionadas com o caso “Dark Horse” determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça na sexta-feira (11).
O filme “Dark Horse” (termo em inglês para “azarão”) passou a ser alvo de investigações após reportagens revelarem que a produção teria sido financiada por Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. Ele está preso em Brasília.
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O g1 procurou a assessoria do deputado, que não responderam aos questionamentos até a última atualização desta reportagem.
Mario Frias e Karina Gama, dona Go Up, produtora da cinebiografia, foram alvos da ação. A operação apurou informações sobre um suposto esquema de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares, informou a PF.
A PF disse ter identificado movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas ligadas ao esquema.
Em investigação, os crimes de peculato (desvio, por parte de um funcionário público, de bens e valores que ele tem acesso por conta do cargo que ocupa), falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.
O deputado classificou como “cortina de fumaça” a operação da PF.
Em vídeo publicado nas redes sociais após a ação, o parlamentar negou irregularidades, afirmou que vai colaborar com as investigações e entregar todos os documentos necessários e disse acreditar no arquivamento do caso.
Investigações sobre ‘Dark Horse’ no STF
Há duas investigações em curso sob a supervisão de ministros do STF sobre o filme “Dark Horse” (termo em inglês para “azarão”).
• O caso que está com Flávio Dino se concentra no possível uso irregular de emendas parlamentares e dinheiro público que chegou a entidades e empresas ligadas à produtora do filme.
• Um outro inquérito, sob a relatoria do ministro André Mendonça, examina os repasses feitos pelo ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, do Banco Master, a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, e o percurso desse dinheiro.
Com informações do g1.
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