Quem tomar Mounjaro vai perder a eleição
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Quem tomar Mounjaro vai perder a eleição

Quem tomar Mounjaro vai perder a eleição Foto: Imagem produzida por inteligência artificial

Por Victor Limeira*

Isso mesmo que você leu. Num país que transformou medicamentos como o Mounjaro em símbolo de combate à gordura, talvez seja útil lembrar que, na política brasileira, a gordura pode ser exatamente o que decide uma eleição.

Antes que alguém leve a metáfora ao pé da letra, vale explicar. No Brasil, eleição presidencial não se vence pelo mapa do país. Não vence quem ganha mais estados. Não vence quem domina mais regiões. E, muitas vezes, nem mesmo quem vence nos maiores colégios eleitorais.

A regra é simples e matemática: ganha quem chega ao final da apuração com 50% dos votos mais um. Parece óbvio, mas não é raro ver análises superficiais que tratam o mapa eleitoral como se fosse um campeonato territorial. A cada eleição surgem mapas coloridos mostrando metade do país pintada de uma cor e a outra metade de outra, como se aquilo fosse suficiente para explicar o resultado. Não é.

A eleição de 2022 deixou isso cristalino. Jair Bolsonaro venceu em mais estados do que Lula. Ainda assim, quem assumiu a Presidência foi Lula. Por quê? Porque eleição no Brasil se decide na gordura eleitoral. E gordura eleitoral, nesse caso, significa a vantagem robusta acumulada em determinadas regiões. No caso de 2022, o Nordeste foi decisivo. A diferença construída ali foi tão grande que compensou derrotas importantes em outros estados.

Em outras palavras, não basta ganhar. É preciso ganhar com margem. É por isso que olhar apenas para o número de estados vencidos ou para o maior colégio eleitoral do país pode gerar uma leitura completamente equivocada do cenário. São Paulo, por exemplo, é gigantesco em número de eleitores. Mas, se a diferença em outra região for muito maior, o impacto no resultado final pode ser ainda mais decisivo.

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A política brasileira, portanto, funciona muito mais como uma corrida de peso do que como uma disputa territorial. Quem chega ao final da apuração com mais massa eleitoral acumulada vence. Pensando em 2026, essa lógica continua sendo central.

Qualquer candidatura competitiva terá dois desafios simultâneos: reduzir a gordura eleitoral do adversário onde ela é maior e ampliar sua própria musculatura nos grandes colégios eleitorais. Não basta ganhar território. É preciso equilibrar o placar.

No fim das contas, talvez a metáfora inicial faça mais sentido do que parece. No caso de uma eventual disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, por exemplo, o desafio de Flávio seria justamente diminuir a vantagem histórica de Lula no Nordeste, enquanto Lula buscaria manter essa gordura elevada na região e ampliar sua margem em outros colégios eleitorais.

No fim das contas, a lógica continua a mesma: em vez de emagrecer a própria campanha, o caminho mais inteligente é aplicar o Monjaro eleitoral no adversário, exatamente onde a gordura dele decide a eleição.

* Victor Limeira é jornalista, estrategista político e eleitoral.

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