Reforma Tributária causa corrida aos cartórios baianos para transferência de imóveis
Bahia

Reforma Tributária causa corrida aos cartórios baianos para transferência de imóveis

Reforma Tributária causa corrida aos cartórios baianos para transferência de imóveis Foto: Divulgação

Resumo da notícia

  • Cartórios da Bahia registraram recorde de 2.763 escrituras públicas de doação de imóveis em 2025, alta de 65% em relação a 2020, impulsionada pela expectativa de mudanças trazidas pela Reforma Tributária.
  • A nova legislação poderá elevar a tributação sobre heranças e doações para até 8% e adotar o valor de mercado dos imóveis como base de cálculo, o que tem incentivado a antecipação do planejamento sucessório antes de possíveis alterações a partir de 2027.
  • A doação com reserva de usufruto tem sido uma das estratégias mais utilizadas, permitindo aos pais transferir a propriedade aos filhos sem perder o direito de uso e administração do imóvel, garantindo maior segurança jurídica e previsibilidade patrimonial.

Famílias baianas que pretendem transferir imóveis para filhos e herdeiros podem estar diante da última oportunidade de realizar a operação pelas regras atuais do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD). Com as mudanças previstas pela Reforma Tributária e a possibilidade de a alíquota progressiva alcançar até 8% nos próximos anos, o número de escrituras públicas de doação de imóveis realizadas em Cartórios de Notas do Estado bateu recorde histórico em 2025, refletindo uma corrida para antecipar a sucessão patrimonial antes que o custo tributário aumente.

Os dados mostram que o movimento já está em curso. Em 2025, os Cartórios de Notas baianos registraram 2.763 escrituras públicas de doação de imóveis, maior número da série histórica e um crescimento de 65% em relação a 2020, quando foram realizados 1.674 atos. O avanço ocorre em meio às discussões sobre a regulamentação estadual das novas regras tributárias e à preocupação crescente das famílias em preservar patrimônio e reduzir custos futuros com impostos.

O movimento ocorre em paralelo ao avanço da arrecadação do imposto no Estado. Em 2020, o ITCMD gerou R$ 165 milhões aos cofres baianos. Em 2025, o valor alcançou R$ 388 milhões, um crescimento de 135% em cinco anos. A expansão da arrecadação acontece justamente no momento em que a Bahia se prepara para discutir a adaptação de sua legislação às novas diretrizes da Reforma Tributária.

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Hoje, o Estado aplica uma alíquota progressiva de 4% a 8% nas heranças e 3,4% nas doações, independentemente do valor do patrimônio transmitido. Com a publicação da Lei Complementar nº 227/2026, o teto chega a 8% em ambos. A nova legislação também estabelece diretrizes para que a cobrança passe a considerar o valor de mercado dos bens, e não apenas referências patrimoniais ou fiscais tradicionalmente utilizadas em diversas situações.

Embora as novas regras dependam da aprovação de legislação estadual específica, 2026 poderá representar a última oportunidade para realização de doações patrimoniais sob o atual modelo tributário. Isso porque qualquer alteração aprovada neste ano deverá respeitar os princípios constitucionais da anterioridade anual e da noventena, permitindo que as mudanças passem a valer apenas a partir de 2027.

O cenário tem levado cada vez mais famílias a antecipar a transferência de patrimônio para filhos e herdeiros por meio de escrituras públicas de doação em Cartórios de Notas. Além da possibilidade de fixar a tributação pelas regras atuais, a medida permite evitar que futuras valorizações imobiliárias ampliem a base de cálculo do imposto e proporciona maior previsibilidade para a organização patrimonial familiar.

Uma das alternativas mais utilizadas é a doação com reserva de usufruto, ato pelo qual os pais transferem a propriedade do imóvel aos filhos, mas mantêm para si o direito de uso, moradia, administração e recebimento de rendimentos do bem durante toda a vida. Dessa forma, é possível realizar o planejamento sucessório sem abrir mão do controle sobre o patrimônio.

“O planejamento sucessório deixou de ser um tema restrito a grandes patrimônios e passou a integrar a realidade de muitas famílias brasileiras. A possibilidade de mudanças na tributação reforça a importância de buscar orientação especializada e formalizar esses atos com segurança jurídica. A escritura pública de doação oferece transparência, validade e previsibilidade para a transmissão do patrimônio, contribuindo para evitar conflitos futuros entre os herdeiros”, afirma Carolina Catizane, presidente do Colégio Notarial do Brasil – Seção Bahia (CNB/BA).

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