Santa Casa de Feira de Santana realiza primeira cirurgia de reabilitação de voz pelo SUS no interior da Bahia
Feira de Santana

Santa Casa de Feira de Santana realiza primeira cirurgia de reabilitação de voz pelo SUS no interior da Bahia

Santa Casa de Feira de Santana realiza primeira cirurgia de reabilitação de voz pelo SUS no interior da Bahia Foto: Shirlley Santos

Resumo da notícia

  • A Santa Casa de Misericórdia de Feira de Santana realizou, no Hospital Dom Pedro de Alcântara, a primeira cirurgia de reabilitação de voz no interior da Bahia pelo SUS, devolvendo a fala a um paciente após retirada total da laringe.
  • O idoso de 80 anos passou por implantação de prótese traqueoesofágica e, poucos dias após o procedimento, já apresenta boa adaptação e consegue se comunicar, seguindo acompanhamento médico e fonoaudiológico.
  • A técnica representa avanço na reabilitação de pacientes com câncer de laringe, permitindo não apenas o tratamento, mas também a recuperação da qualidade de vida. Médicos alertam para sintomas como rouquidão persistente e destacam a importância do diagnóstico precoce.

O aposentado João da Silva, de 80 anos, é o primeiro paciente no interior da Bahia a voltar a falar graças à cirurgia de reabilitação fonatória com a instalação de uma prótese. Ele enfrentou um câncer de garganta agressivo e, por esta razão, foi submetido a uma laringectomia total – procedimento cirúrgico realizado em estágios avançados de câncer na laringe que envolve a remoção de sua caixa de voz.

O primeiro procedimento do tipo realizado pelo SUS foi feito no Hospital Dom Pedro de Alcântara, mantido pela Santa Casa de Feira de Santana.

Dez dias após o procedimento, os cirurgiões de cabeça e pescoço Leonardo Rios e Mariana Cedro, responsáveis pelo tratamento, consideram excelente a recuperação do paciente que teve alta médica no último dia 23 de abril. Na última terça-feira (28) João retornou ao hospital para o acompanhamento e os exercícios que ensinam como voltar a falar.

“Ele está muito bem, já adaptado à prótese e se comunicando com clareza. Tem realizado os exercícios com acompanhamento rigoroso da nossa equipe e irá iniciar em breve o acompanhamento com o fonoaudiólogo da equipe da nossa Unacon, Adriano Zenir”, avalia a médica Mariana Cedro que também é otorrinolaringologista.

Paciente da Unidade de Alta Complexidade em Oncologia, Unacon de Feira de Santana, João perdeu a capacidade da fala após a cirurgia de retirada total da laringe – necessária para tratar um câncer agressivo na garganta.

Uma das causas prováveis da doença é associada ao cigarro, já que o paciente fumou durante quase toda a sua vida, um hábito adquirido ainda na adolescência, conforme relato da família.

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CIRURGIA INÉDITA

A equipe médica implantou uma prótese traqueoesofágica para reabilitação da fonação do paciente. A técnica proporciona a recuperação da fala, uma ferramenta fundamental para a sua comunicação e integração à sociedade.

O cirurgião Leonardo Rios destaca a importância da reabilitação vocal para os pacientes vítimas de câncer de laringe. “A voz é uma ferramenta extremamente relevante porque permite que o paciente se comunique com as outras pessoas. Além disso, é um traço da nossa identidade pessoal, a voz é a principal ferramenta de conexão, que nos ajuda a ter uma função social. Imagine para seu João não conseguir conversar com suas filhas, com os demais familiares?!”, ressalta.

Os médicos explicam que casos como o de seu João não são raros. Isto se dá porque os cânceres na região da cabeça e pescoço geralmente apresentam, no início, apenas sintomas brandos, que passam de forma despercebida pela grande maioria. “Em geral, os pacientes só procuram atendimento médico quando o câncer já está mais avançado”, lamenta o dr. Leonardo.

O cirurgião faz um chamado à população: “pequenos sinais como, por exemplo, rouquidão ou dor ao deglutir, sintomas estes que não melhoram em três semanas. Neste casos, é importante que o paciente procure logo a assistência à saúde. Se diagnosticado de forma precoce, o câncer de laringe pode ser tratado com radioterapia e com cirurgias parciais, que não levam à perda definitiva da voz”, alerta.

“Estamos felizes pela realização deste procedimento aqui na Santa Casa por que esta cirurgia permite a reabilitação do paciente no âmbito do SUS, que antes apenas tratava o câncer. Agora, também podemos fazer a reabilitação. Esta é uma conquista”, comemora a médica Mariana Cedro. “Devolvemos o paciente à sociedade para que ele possa se comunicar, se conectar, ter a sua identidade de volta, isso é muito importante”, completa Leonardo Rios.

Além dos cirurgiões, a equipe responsável pelo procedimento de reabilitação fonatória foi integrada por outros profissionais: Dra. Ruth Camarão, anestesista; Manuela Cerqueira, instrumentadora cirúrgica; Vilma Luciene, enfermeira; e Karoline Souza, técnica de Enfermagem.

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