São João: a história por trás da tradição
Por Dandara Barreto | 23/06/2025 12:21 e atualizado em 24/06/2025
Foto: Divulgação
Resumo da notícia
- As tradições juninas surgiram da mistura de culturas europeias adaptadas ao modo de vida nordestino, com o milho como símbolo central da fartura e partilha, ligada à colheita e à fé em santos como São João e São José.
- A música forró, popularizada por Luiz Gonzaga e Dominguinhos, e a fogueira, com raízes religiosas, são símbolos que representam a alegria, resistência cultural e a união da comunidade nas festas.
- O São João vai além da celebração, sendo um momento que expressa a identidade do povo nordestino, unindo fé, agricultura, música, comida e convivência comunitária, refletindo sua relação com a natureza e com o outro.
O mês de junho é aguardado com ansiedade em todo o Nordeste. O cheiro de milho assado, o colorido das bandeirolas, o calor das fogueiras e o som da sanfona compõem o cenário que, para muitos, representa o verdadeiro espírito nordestino. Mas como surgiram essas tradições? O que a colheita de milho tem a ver com a fé em São João? Por que a mesa farta e a troca de pratos são tão simbólicas?
O historiador Fernando Souza explica que o São João nordestino é resultado de uma confluência de tradições culturais e religiosas, trazidas da Europa e ressignificadas com o tempo, adaptadas ao modo de vida no sertão e nas cidades do interior.
“O milho acabou se tornando o grande referencial culinário do período junino por conta da sua colheita. Era justamente no mês de junho que o milho ficava pronto, depois das famosas chuvas de março. Isso trazia fartura, e a fartura era compartilhada. Por isso o milho está no cuscuz, na pamonha, na canjica. Ele está no centro da mesa e da celebração”, destaca o historiador.
Segundo ele, a ideia de partilha, presente nas festas juninas até hoje, está diretamente ligada a esse ciclo da natureza.
“Quando a colheita era boa, as pessoas agradeciam aos santos, especialmente a São José e a São João, e dividiam o que tinham com vizinhos e parentes. A visita de uma casa a outra, a troca de pratos, tudo isso tem a ver com essa sensação de bênção e gratidão.”
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A mesa farta e a presença da comunidade, portanto, não são apenas gestos de hospitalidade, mas práticas simbólicas carregadas de sentido.
“Era como dizer: fui abençoado, então você é bem-vindo à minha casa e eu sou bem-vindo à sua. Essa ideia de acolhimento é algo que o São João preserva até hoje, especialmente no interior.”
Outro elemento essencial é a música. O forró, com suas variações — xote, baião, chachado, arrastapé — também tem uma trajetória de resistência e identidade.
“Eu, quando criança, achava que a sanfona era invenção nossa”, brinca Fernando. “Na verdade, é um instrumento europeu, muito usado em salões antigos, inclusive no tango argentino. Mas aqui, no Brasil, foi transformado.”
De acordo com ele, o forró como conhecemos hoje começou a ganhar forma no início do século XX, com nomes como Luiz Gonzaga e Dominguinhos. “Eles adaptaram o instrumento e criaram uma nova linguagem musical, dançante, alegre e cheia de pertencimento. Como dizia Gonzaga, o forró é a ‘dança do mijador com mijador’, bem coladinho, com o calor da festa e do povo.”
A tradição das fogueiras também tem raízes religiosas. Acredita-se que a fogueira teria sido acesa por Isabel para anunciar o nascimento de seu filho, João Batista, a Maria, mãe de Jesus.
“Com o tempo, esse gesto virou símbolo das festas juninas. A fogueira ilumina, aquece, reúne. Ela é centro simbólico de muitas celebrações”, explica Fernando.
Por fim, o historiador destaca que o São João é, para o povo nordestino, mais que uma data comemorativa. “É a principal festa do ano. É a festa que une fé, agricultura, música, dança, comida, bebida, vida em comunidade. Representa a identidade de um povo, a sua maneira de lidar com a natureza e com o outro.”
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