Senado aprova projeto que torna misoginia crime de discriminação, como o racismo
Por Yasmin Mota | 24/10/2025 11:15 e atualizado em 24/10/2025
Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
Resumo da notícia
- A CCJ do Senado aprovou projeto que tipifica a misoginia como crime de discriminação, equiparando-a ao racismo, com penas de 2 a 5 anos de reclusão e multa, seguindo agora para a Câmara dos Deputados.
- A relatora Sen. Soraya Thronicke destacou que a misoginia afeta todas as mulheres, sendo necessária sua criminalização para conter discursos de ódio e promover dignidade feminina.
- A CCJ também aprovou projeto que permite processar danos patrimoniais em violência doméstica sem queixa da vítima, tornando a ação penal pública incondicionada e fortalecendo a proteção legal às mulheres.
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira (22/10), um projeto de lei que tipifica misoginia como crime de discriminação e a equipara ao racismo.
O texto foi aprovado por 13 votos a 2 e tramitou em caráter terminativo. Ou seja, agora segue para a Câmara dos Deputados, a menos que algum senador apresente recurso para que seja votado no plenário.
O projeto, de autoria da senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA), prevê multa e pena de reclusão de dois a cinco anos para o agressor, conforme a gravidade do ato cometido contra a mulher. A proposta define misoginia como o comportamento que expressa ódio ou aversão às mulheres, sustentado na ideia de superioridade do gênero masculino.
A relatora, senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), deu parecer favorável e fez mudanças no texto alternativo da Comissão de Direitos Humanos. Para Thronicke, a misoginia deve ser tratada como crime coletivo, que atinge todas as mulheres, e não apenas casos isolados.
✅📲 AQUI A NOTÍCIA CHEGA PRIMEIRO: Seu novo portal de notícias de Feira de Santana e região! Entre no nosso grupo do WhatsApp e receba as principais notícias na palma da mão!
>> Siga o perfil oficial do T Notícias no Instagram para mais informações.
Durante a votação, opositores como o senador Jorge Seif (PL-SC) se posicionaram contra a proposta. Seif argumentou que não conhece casos de homens que realmente odeiem mulheres e considerou grave a ideia de transformar esse tipo de comportamento em crime específico.
Por outro lado, Thronicke afirmou que, assim como o racismo e a homofobia, a misoginia fomenta a violência e a exclusão. Segundo a senadora, reconhecer juridicamente o preconceito contra mulheres é “fundamental para conter discursos de ódio e assegurar a dignidade feminina”.
Violência patrimonial
Também nesta quarta-feira, a CCJ do Senado aprovou um projeto de lei que determina que crimes de dano patrimonial praticados em contexto de violência doméstica contra a mulher sejam processados pelo Ministério Público, sem a necessidade de uma queixa formal da vítima.
A proposta, do senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), altera o Código Penal para que crimes de dano patrimonial em contexto de violência doméstica tenham ação penal pública incondicionada, sem depender da vontade da vítima. Também aprovada em caráter terminativo, a matéria segue para a Câmara dos Deputados.
O texto inclui um parágrafo no artigo 167 do Código Penal estabelecendo que, quando o crime de dano ocorrer em contexto de violência doméstica, o processo será instaurado mesmo sem a manifestação da vítima em questão.
Acompanhe nas redes sociais: Band FM, Jovem Pan FM e TransBrasil FM. Também estamos presentes no grupo do WhatsApp.
leia também