STF decide se condena Eduardo Bolsonaro por coação nesta terça, 16
Justiça

STF decide se condena Eduardo Bolsonaro por coação nesta terça, 16

STF decide se condena Eduardo Bolsonaro por coação nesta terça, 16 Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Resumo da notícia

  • A Primeira Turma do STF analisa nesta terça-feira (16) a denúncia contra o ex-deputado Eduardo Bolsonaro por suposta coação no curso do processo. Em caso de condenação, ele poderá enfrentar consequências eleitorais, além da pena prevista para o crime.
  • A Procuradoria-Geral da República sustenta que Eduardo atuou junto a autoridades dos Estados Unidos para pressionar ministros do STF e tentar influenciar o andamento do processo envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro. A acusação cita mensagens, entrevistas, publicações e articulações relacionadas a sanções contra integrantes da Corte.
  • A Defensoria Pública da União pede a absolvição por falta de provas e aponta supostas irregularidades processuais, incluindo a participação do ministro Alexandre de Moraes no julgamento. A defesa também afirma que as manifestações do ex-deputado estariam protegidas pela liberdade de expressão e pela imunidade parlamentar.

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) julga nesta terça-feira (16) o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), acusado de coação no curso do processo. Caso seja condenado, ele poderá ficar inelegível.

A denúncia foi apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que atribui a Eduardo uma atuação junto ao governo do presidente Donald Trump, nos Estados Unidos, para pressionar ministros do STF e criar um ambiente de instabilidade com o objetivo de impedir uma eventual condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no processo sobre a suposta trama golpista.

O crime de coação no curso do processo ocorre quando há uso de violência ou grave ameaça contra autoridade envolvida em um caso judicial para favorecer interesse próprio ou de terceiros. A pena prevista é de um a quatro anos de prisão.

Como será o julgamento

O caso é relatado pelo ministro Alexandre de Moraes e será analisado pela Primeira Turma do STF, composta também pelos ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino, presidente do colegiado.

A sessão começa com a leitura do relatório de Moraes, seguida pela manifestação da PGR, que terá até uma hora para sustentar o pedido de condenação.

Na sequência, a Defensoria Pública da União (DPU), responsável pela defesa de Eduardo Bolsonaro após ele não indicar advogado no processo, terá o mesmo prazo para apresentar seus argumentos.

Depois das sustentações, os ministros votarão sobre a condenação ou absolvição do ex-deputado. São necessários ao menos três votos para formar maioria.

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Acusação cita sanções e articulações nos EUA

No pedido de condenação, a PGR afirma que a denúncia foi confirmada por um “robusto acervo documental”. Entre os elementos apontados estão entrevistas, publicações em redes sociais e trocas de mensagens entre Eduardo e Jair Bolsonaro.

Segundo a Procuradoria, Eduardo articulou ações junto a autoridades americanas para pressionar integrantes do STF por meio de ameaças de sanções e medidas econômicas contra o Brasil.

Entre as provas citadas estão uma nota de Donald Trump anunciando tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, manifestações públicas de Eduardo defendendo pressões contra o ministro Alexandre de Moraes, agradecimentos após restrições de vistos a ministros do Supremo e o anúncio de sanções financeiras contra Moraes com base na Lei Global Magnitsky.

A PGR também menciona mensagens trocadas entre Eduardo e Jair Bolsonaro. Em uma delas, o ex-deputado afirma ao pai: “se você disser algo sobre EUA que não se encaixar com o que estamos fazendo aqui, pode enterrar algumas ações”.

Para o Ministério Público, ficou demonstrado que Eduardo utilizou ameaças para tentar influenciar autoridades responsáveis pelo julgamento de Jair Bolsonaro.

“Ao condicionar explicitamente a interrupção de suas ofensivas internacionais à concessão de anistia ou ao recuo das persecuções penais, o réu transformou sua atuação em uma moeda de troca ilícita, visando obstruir o andamento regular de processo judicial”, sustenta a PGR.

Defesa aponta irregularidades

A DPU pede a absolvição por falta de provas e argumenta que o processo deve ser anulado por questões processuais.

Entre os pontos levantados está a participação de Alexandre de Moraes no julgamento. Segundo a defesa, o ministro é apontado como vítima direta das condutas descritas na denúncia.

“No presente caso, o acusado está sendo processado e será julgado pela autoridade apontada como vítima direta da conduta que lhe é imputada na denúncia”, afirma a Defensoria.

A defesa também sustenta que a citação de Eduardo Bolsonaro foi realizada de forma irregular, por edital, embora ele estivesse nos Estados Unidos em endereço conhecido.

Além disso, a DPU argumenta que as manifestações atribuídas ao ex-deputado estavam protegidas pela liberdade de expressão e pela imunidade parlamentar, e que não há provas de que ele tivesse poder para determinar decisões do governo norte-americano.

“Ausente o dolo específico de favorecer interesse próprio ou alheio mediante coação de julgadores, cuja demonstração a Acusação não apresenta de forma suficiente, e presentes a liberdade de expressão e a imunidade parlamentar, as manifestações estavam constitucionalmente protegidas à época de sua exteriorização”, argumenta a defesa.

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