Tarifaço de Trump: golpe de Bolsonaro ou oportunidade pra Lula?
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Tarifaço de Trump: golpe de Bolsonaro ou oportunidade pra Lula?

Tarifaço de Trump: golpe de Bolsonaro ou oportunidade pra Lula? Foto: Reprodução

Por Victor Limeira*

Xoxa, capenga, manca, anêmica, frágil e inconsistente ou simplesmente: a carta de Donald Trump. Eu não sei como se fala no restante do Brasil, mas aqui na Bahia podemos dizer que, na jogada de Trump com Bolsonaro, “o tiro saiu pela culatra”.

Se o objetivo era encurralar Lula com um tarifaço pesado de 50% sobre as importações brasileiras e constranger o presidente da República perante a opinião pública, o resultado, até o momento, foi exatamente o oposto.

A diferença entre o remédio e o veneno é justamente a dose. Nesse contexto, o direito penal traz um conceito interessante: a dosimetria da pena, que, em termos simples, é a proporcionalidade. Não posso te devolver um xingamento com um soco no estômago, assim como não é legítima defesa reagir a um assalto dando 15 tiros no bandido.

O todo-poderoso Trump, ao contrário, parece desconhecer essa proporcionalidade. Do alto de sua caneta Sharpie, a tinta que canta é a jurisprudência. Então, bora de tarifaço e sanções para todos e “Make America Great Again”. A América que é dele, de mais ninguém. Trump é aquele menino pequeno que, quando a mãe manda ir embora, leva a bola junto para acabar com o baba.

Mas aqui é Brasil! Em um governo cansado, marcado por uma pauta que se arrasta desde o famigerado 8 de janeiro, com pouca repercussão e interesse da opinião pública, o tarifaço de Trump caiu como uma luva no colo do marqueteiro Sidônio Palmeira e nas ambições do Lula 4.

Lula se reposiciona como um patriota. Memes à perder de vista e um presidente que, ao ser encurralado por um dos seus maiores parceiros comerciais, dobra a aposta e joga para a torcida.

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Tudo vira festa, e como mostra a última pesquisa Quaest, os números reagem: aumento da aprovação, queda da rejeição e 2026 está logo ali. Será? Até lá, há muito caminho pela frente e, com os consequências pra economia, como ficará o cenário?

O efeito econômico da medida de Trump sobre as importações brasileiras vai muito além de uma simples disputa comercial. Em um cenário onde a inflação já pressiona o bolso do brasileiro, um aumento abrupto nos custos das importações pode acarretar uma elevação no preço de produtos básicos, afetando especialmente as classes mais baixas.

No setor produtivo, pequenas e médias empresas brasileiras podem ser severamente impactadas, levando a uma possível retração da economia interna e, consequentemente, ao aumento do desemprego. As sanções podem ainda piorar o cenário, criando um ciclo de aumento de custos e diminuição do poder aquisitivo da população.

A primeira aposta de Lula é que Trump recuará, o famoso “peidar na farofa”. Nesse caso, a emenda sairia pior que o soneto, e o presidente sairia grande de um enfrentamento sem maiores arranhões.

Do outro lado do tabuleiro, a família Bolsonaro espera exatamente o contrário. Isolados politicamente e sob a mira da justiça, vão se agarrar aos efeitos da sanção, seja para se projetar como interlocutores do Brasil ou para ver onde mais sangra. E aí, com o ônus da economia, que pode impactar diretamente a vida dos brasileiros, criar um novo contexto político.

Como pesquisa quantitativa é foto, não filme, por ora o cenário é mais positivo para Lula do que para Bolsonaro. Mas pode mudar. Se, no início, todo mundo queria ser o pai da criança, agora até o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, guardou o boné no armário e tem evitado se posicionar. O termômetro digital da direita é a produção de conteúdo de Nikolas Ferreira, que até o momento só fez um vídeo e nada mais. Cadê sua voz, Miriam?

A ofensiva trumpista mirou no Pix e na 25 de Março, dois símbolos muito fortes do Brasil real, com grupos que dialogam diretamente com o presidente Lula. Esse tipo de investida pode aumentar a rejeição de Bolsonaro e facilitar ainda mais o caminho de Lula para 2026.


Foi exatamente o que aconteceu no Canadá, onde o Partido Liberal de orientação esquerdista se recuperou ao se posicionar de forma veemente contra as interferências dos Estados Unidos.

Diante desse cenário volátil e de incertezas políticas, fica a pergunta: até que ponto Trump seguirá pressionando o Brasil ou se recuará diante das reações do mercado? Em um jogo onde as peças se movem rápido, a estratégia de Lula de se posicionar como líder nacionalista pode ser o trunfo para 2026. Mas, diante de um Brasil tão polarizado e a economia pendendo para um fio da navalha, as peças ainda estão sendo jogadas e o destino político do país segue em aberto.

A próxima jogada será crucial, e os impactos econômicos de um cenário adverso podem ser a chave para reconfigurar o tabuleiro político brasileiro.

* Victor Limeira é jornalista e estrategista político.

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