Tenente-coronel da Policia Militar é preso suspeito de encobrir ações de milícia no oeste da Bahia
Por Yasmin Mota | 09/09/2025 10:12 e atualizado em 09/09/2025
Foto: ASCOM/SSP-BA
Resumo da notícia
- Durante a 2ª fase da Operação Terra Justa, o MP-BA e forças de segurança cumpriram mandado de busca na casa de um tenente-coronel da PM, preso em flagrante por posse ilegal de arma. Ele é investigado por receber propina para proteger ações criminosas de milicianos que invadiam terras em Correntina.
- O oficial teria recebido R$ 15 mil mensais entre 2021 e 2024 de um sargento da reserva, líder da milícia. Os crimes investigados incluem corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
- A Vara Criminal de Correntina aceitou denúncia contra quatro envolvidos e determinou o bloqueio de bens que somam mais de R$ 8,4 milhões. O esquema teria movimentado cerca de R$ 30 milhões em dez anos, com uso de contas de terceiros e empresas agropecuárias.
A casa de um tenente-coronel da Polícia Militar foi alvo de mandado de busca e apreensão na segunda-feira (8) durante a segunda fase da ‘Operação Terra Justa’, deflagrada pelo Ministério Público da Bahia, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e Investigações Criminais (Gaeco), em parceria com a Força Correcional Especial Integrada da Corregedoria Geral (Force), da Secretaria de Segurança Pública (SSP), e Corregedoria da Polícia Militar. O oficial foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo sem registro.

Foto: ASCOM/MPBA
No total, foram cumpridos seis mandados de busca e dois de prisão preventiva nos municípios de Correntina, Santa Maria da Vitória e Salvador. Foram apreendidos documentos, aparelhos eletrônicos, armas, munição e outros materiais que serão periciados e analisados. As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos.
Segundo as investigações do Gaeco, em parceria com a Polícia Civil, o oficial de alta patente recebia vantagens indevidas para encobrir ações criminosas do grupo miliciano que, por mais de dez anos, invadiu, com uso de violência, terras de comunidades tradicionais da região de Correntina em favor de fazendeiros locais.
O tenente teria recebido, entre 2021 e 2024, pagamentos mensais de R$ 15 mil realizados pelo líder da milícia, um sargento da reserva remunerada da PM. O oficial é investigado por crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
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Denúncia e bloqueio de bens

Foto: ASCOM/MPBA
Presos na primeira fase da ‘Operação Terra Justa’, o sargento e um comparsa foram alvos hoje de novos mandados de prisão preventiva. Ele e mais três pessoas foram denunciados pelo MPBA por crimes de organização criminosa voltada para lavagem de dinheiro decorrente da milícia.
A denúncia foi recebida pela Vara Criminal de Correntina no último dia 5 de agosto, que determinou o bloqueio de bens dos acusados em valores que podem chegar a mais de R$ 8,4 milhões. Segundo as investigações, o esquema criminoso envolvia a ocultação e dissimulação de valores por meio de contas de terceiros para mascarar a origem dos recursos. Entre 2014 e 2024, somente na conta do sargento da reserva, foram registradas movimentações de aproximadamente R$ 30 milhões, entre créditos e débitos, sendo a maioria dos depósitos realizada por empresas ligadas ao setor agropecuário.
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