Três suspeitos de usar empresas veterinárias em fraude com títulos de crédito são presos em Salvador; prejuízos chegam a R$ 15 milhões
Por Hamurabi Dias | 15/09/2026 17:30 e atualizado em 15/09/2026
Foto: Pedro Moraes/Ascom/PCBA
Resumo da notícia
- Três suspeitos foram presos em Salvador durante a Operação Sem Lastro, que investiga a criação e negociação de títulos de crédito fraudulentos por meio de empresas veterinárias.
- A Polícia Civil identificou mais de mil duplicatas falsas, envolvendo mais de 200 empresas, com títulos que ultrapassam R$ 32 milhões e prejuízo confirmado superior a R$ 15 milhões.
- Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão, com celulares, documentos e outros materiais recolhidos, enquanto as investigações continuam para identificar outros envolvidos.
Três pessoas foram presas nesta terça-feira (15), em Salvador, durante a Operação Sem Lastro, deflagrada pela Polícia Civil da Bahia para desarticular um grupo suspeito de criar e negociar títulos de crédito e recebíveis fraudulentos, incluindo duplicatas falsas. Um casal foi localizado no bairro de Jardim Armação, enquanto a terceira prisão ocorreu no bairro de Jardim das Margaridas.
Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em residências e estabelecimentos comerciais. Durante a ação, foram apreendidos celulares, tablets, escrituras, cadernos, comprovantes bancários e outros documentos que podem contribuir para as investigações.
Segundo as investigações, o grupo utilizava empresas ligadas ao ramo veterinário, com atividades de comercialização e armazenamento de ração e insumos veterinários, para dar aparência de regularidade às operações e viabilizar a emissão e negociação dos títulos no mercado financeiro.
Os suspeitos criavam as duplicatas e as negociavam com fundos de investimento, que acreditavam estar adquirindo documentos referentes a dívidas reais. Mais de mil duplicatas falsas foram identificadas, envolvendo mais de 200 empresas que apareciam nos documentos como responsáveis pelos pagamentos, embora não tivessem realizado as operações comerciais indicadas. O valor dos títulos colocados em circulação supera R$ 32 milhões, enquanto o prejuízo financeiro já confirmado ultrapassa R$ 15 milhões.
Divisão de tarefas
Os três presos exerciam funções distintas. O homem localizado em Jardim Armação, que atuava nos setores financeiro e comercial, é apontado como responsável pela criação, falsificação e negociação dos títulos fraudulentos. Ele também participava do chamado autopagamento, utilizando recursos de empresas ligadas ao grupo para quitar alguns dos próprios títulos e criar uma falsa aparência de capacidade financeira. Mesmo após a descoberta das primeiras irregularidades, apresentou uma nova carteira de títulos fraudulentos no valor de R$ 17 milhões.
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A mulher presa no Jardim das Margaridas atuava na área financeira e contábil. Segundo os autos, ela participava da manipulação de balanços e informações financeiras para conferir aparência de solidez econômica às empresas utilizadas nas operações.
Já a terceira investigada, médica-veterinária e esposa do principal investigado, atuava na área patrimonial e societária. Um dos elementos analisados foi a transferência, em 24 de março de 2026, da totalidade das cotas de uma empresa, avaliadas em R$ 1 milhão, para ela. A operação ocorreu durante as investigações e, segundo a apuração, esteve relacionada a uma suposta separação considerada simulada pelos investigadores. Publicações em redes sociais indicaram a continuidade da relação e da convivência do casal.
De acordo com o delegado responsável pela operação, José Nélis, as fraudes provocaram impactos para comerciantes e investidores. “O esquema atingiu comerciantes e investidores, além de diversas pessoas que tiveram seus nomes protestados indevidamente por títulos que não correspondiam a dívidas reais. Os prejuízos foram especialmente graves para pequenos comerciantes, levando alguns deles à falência. A movimentação societária identificada durante as investigações também funcionou como mecanismo de proteção patrimonial, dificultando a localização e eventual recuperação de bens relacionados aos valores obtidos com as fraudes”, detalhou.
Os três presos permanecem à disposição da Justiça. A Operação Sem Lastro é realizada pelo Departamento de Polícia Metropolitana (DEPOM), e as investigações continuam para esclarecer a participação individual dos envolvidos, acompanhar o fluxo dos recursos e identificar possíveis outros integrantes.
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