Veja quais produtos brasileiros escaparam e quais serão taxados pelos Estados Unidos
Por Yasmin Mota | 16/07/2026 07:42 e atualizado em 16/07/2026
Foto: Pexels
Resumo da notícia
- Os Estados Unidos aplicarão uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros a partir de 22 de julho, afetando cerca de US$ 15 bilhões em exportações anuais. Mercadorias já em trânsito ficarão isentas.
- A medida incidirá sobre itens como etanol, máquinas agrícolas, calçados, vestuário, papel, produtos químicos e manufaturados. Permanecem fora da tarifa produtos como carne bovina, café, suco de laranja, petróleo, aeronaves, medicamentos e semicondutores.
- Os EUA justificam a decisão com base na Seção 301, alegando práticas comerciais brasileiras que prejudicam o comércio bilateral. O governo brasileiro avalia recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica e manter negociações para tentar reverter a medida.
Os Estados Unidos confirmaram nesta quinta-feira (15) a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros após a conclusão de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). A nova cobrança passa a valer em 22 de julho e deve atingir aproximadamente US$ 15 bilhões em exportações brasileiras por ano, segundo estimativa preliminar da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Mercadorias que já estiverem em trânsito para os Estados Unidos antes da entrada em vigor da medida não serão afetadas.
Apesar do impacto, alguns dos principais produtos exportados pelo Brasil ficaram de fora da nova tarifa, entre eles carne bovina, café, suco de laranja, petróleo, gás natural, aeronaves, medicamentos, semicondutores, celulose, ferro-gusa e determinados minérios e produtos metálicos considerados estratégicos para a indústria americana. Já itens como etanol, máquinas agrícolas, vestuário, calçados, equipamentos de mineração, papel, açúcar orgânico, bens de capital, produtos químicos e manufaturados em geral passarão a ser tributados com a alíquota adicional.
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Segundo o governo americano, a medida foi adotada com base na Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos, sob a alegação de que o Brasil mantém práticas que restringem ou prejudicam o comércio bilateral. Entre os pontos citados estão o sistema de pagamentos Pix, o acesso ao mercado brasileiro de etanol, o desmatamento ilegal e questões relacionadas à pirataria. O USTR informou que a tarifa poderá ser revista ou suspensa caso essas práticas sejam alteradas.
A nova taxa se soma a outras barreiras comerciais já impostas por Washington, principalmente sobre produtos de aço, alumínio e cobre, enquadrados na Seção 232 da legislação americana. Além disso, os EUA conduzem outra investigação que poderá resultar em uma tarifa adicional de 12,5% sobre parte das exportações brasileiras, relacionada ao combate ao trabalho forçado. Na avaliação do governo brasileiro, as duas medidas podem ser aplicadas de forma cumulativa em alguns produtos, elevando a sobretaxa para até 37,5%, dependendo da classificação tarifária.
A decisão amplia a tensão nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. O governo brasileiro afirma que realizou diversas rodadas de negociação ao longo do último ano para tentar evitar a medida, mas não houve acordo. Entre os principais impasses estiveram o Pix, a ampliação do acesso do etanol americano ao mercado brasileiro e propostas relacionadas à tributação de plataformas digitais. Agora, o Palácio do Planalto analisa possíveis respostas, entre elas o uso da Lei da Reciprocidade Econômica ou a continuidade das negociações diplomáticas.
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