Ambulatório de Infectologia recebeu 28 pessoas com esporotricose entre janeiro e maio 2025
Por Deise Campos | 30/05/2025 15:53 e atualizado em 31/05/2025
Foto: Divulgação
Entre janeiro e a primeira quinzena de maio deste ano, 28 pessoas [entre 2 e 73 anos] deram entrada no Ambulatório de Infectologia da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) para tratamento de esporotricose — infecção causada pelo fungo Sporothrix, encontrado no ambiente e que pode ser transmitido por gatos. Dois destes pacientes já receberam alta.
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O serviço especializado conta com dois médicos infectologistas que atendem semanalmente, às quartas e quintas-feiras. Os pacientes chegam ao ambulatório por meio de encaminhamentos realizados pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Saúde da Família (USF).
“O diagnóstico pode ser clínico-epidemiológico — feito com base nos sinais observados durante a consulta — ou confirmado por exame laboratorial, com análise micológica”, explica a enfermeira Livia Santana, referência técnica do serviço. Entre os principais sintomas estão as lesões cutâneas que seguem um trajeto linfático, formando úlceras ou nódulos, geralmente nos braços até a região das axilas, além de mal-estar e, em alguns casos, febre.
Uma vez confirmado o quadro, o tratamento é iniciado com antifúngico, fornecido gratuitamente pela rede municipal. A duração da terapia varia de três a seis meses, podendo chegar a até um ano em casos de baixa imunidade ou baixa adesão ao tratamento.
Segundo dados do Ambulatório de Infectologia, os bairros com maior número de casos neste período foram Santa Mônica, Chácara São Cosme, Jardim Acácia, Novo Horizonte e Campo Limpo.
Em 2024, o serviço atendeu 41 pacientes com suspeita da doença. No ano anterior, foram registrados 50 casos. “Acreditamos que a redução está relacionada às ações educativas promovidas pela Secretaria de Saúde, como capacitações para profissionais e palestras informativas no ambulatório, com foco na prevenção”, afirma Livia.
A enfermeira também destaca que a esporotricose acomete animais, especialmente gatos, que podem transmitir o fungo para seres humanos.
“O gato pode ser contaminado ao cavar ou arranhar locais com o fungo. Ao morder, lamber ou arranhar uma pessoa, pode transmitir a infecção”, explica. No Brasil, a espécie Sporothrix brasiliensis é a principal responsável por infecções tanto em humanos quanto em animais.
Casos em animais
A Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ), antigo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), prestou 73 atendimentos a gatos neste ano, dos quais 12 tiveram resultado positivo para esporotricose e oito negativos. Outros 33 casos receberam diagnóstico clínico epidemiológico e 20 estavam relacionados a outras demandas.
Ao todo, em 2024, o equipamento municipal realizou 402 atendimentos a gatos com suspeita da doença. Desses, 53 foram confirmados, 23 foram negativos, e 176 receberam diagnóstico clínico-epidemiológico. Os demais envolvem situações como óbitos, evasões e ausência de sintomas.
Caso haja suspeita de infecção, o tutor deve levar o animal à Unidade de Vigilância de Zoonoses para avaliação veterinária. Confirmada a suspeita, é feita a coleta de material para exame laboratorial, com resultado em até 15 dias.
“Mesmo antes do resultado, o tratamento é iniciado e o animal deve permanecer em isolamento domiciliar, conforme orientação técnica”, explica a coordenadora da unidade, Mirza Cordeiro.
Segundo ela, o tutor assina um termo com orientações técnicas para isolamento do animal.
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