Bahia registra segunda maior queda de homicídios no Brasil em números absolutos, mas ainda é um dos estados mais violentos, aponta relatório
Por Hamurabi Dias | 26/05/2026 16:16 e atualizado em 26/05/2026
Foto: Divulgação
Resumo da notícia
- A Bahia registrou queda de 8,5% na taxa de homicídios em 2024, passando de 44,7 para 40,9 mortes por 100 mil habitantes. Apesar da redução, o estado segue com a segunda maior taxa do país, atrás apenas do Amapá, segundo o Atlas da Violência 2026.
- Em números absolutos, a Bahia contabilizou 6.061 homicídios em 2024, com redução de 555 casos em relação a 2023, representando a segunda maior queda do Brasil, atrás apenas do Rio de Janeiro.
- O relatório aponta que fatores como mudanças na gestão da segurança pública, questões demográficas e a “acomodação” de conflitos entre facções criminosas contribuíram para a redução dos homicídios. A SSP-BA destacou investimentos em tecnologia, estrutura e contratação de 9,5 mil profissionais de segurança nos últimos anos.
A taxa de homicídios na Bahia caiu para 40,9 a cada 100 mil habitantes em 2024 (era 44,7 em 2023, uma queda percentual de 8,5%). A atual taxa é maior que a do Brasil (20,1) e a segunda maior entre os estados, atrás apenas do Amapá, 45,7, segundo o Atlas da Violência 2026, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), nesta terça-feira (26).
A taxa apresentada pelo relatório significa dizer que em 2024, a Bahia registrou cerca de 41 homicídios para cada grupo de 100 mil habitantes. Ao todo, o estado registrou em 2024, 6.061 homicídios, uma redução de 8,4% em relação a 2023 (6.616). A queda percentual é maior que a registrada pelo Brasil, -7,4% (45.747 em 2023 para 42.590 em 2024).
Em números absolutos, a Bahia tem a segunda maior queda nacional no comparativo 2023-2024 com 555 homicídios a menos. Em primeiro está o Rio de Janeiro, 772 homicídios a menos. Completam a relação das cinco maiores reduções em números absolutos Rio Grande do Sul (-280), Goiás (-229) e Amazonas (-229).
Ao todo, 18 unidades da federação tiveram taxa de homicídios acima da média do país. As maiores taxas foram registradas no Amapá, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Ceará. São Paulo teve a menor taxa, com 6,6 homicídios por 100 mil habitantes. O índice equivale a cerca de um terço da taxa nacional.
Um dos fatores apontados pela pesquisa para a queda é “acomodação” da guerra do narcotráfico.
“Esse processo de controle da rota gerou conflitos muito intensos e mortes, sobretudo envolvendo as duas maiores facções do Brasil, o PCC e o Comando Vermelho, além de aliados regionais no Norte e no Nordeste. Essa guerra foi mais intensa em 2016 e 2017. Em 2018, os homicídios começam a cair e começa também um processo de acomodação. Uma guerra que se prolonga por muito tempo, sem um resultado claro, passa a ter custos econômicos inviáveis”, explica Daniel Cerqueira, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea e coordenador do Atlas da Violência.
“Quando se observa os estados por onde essa rota passava e onde ela desaguava nas capitais nordestinas, vemos que foram exatamente esses lugares que tiveram redução dos homicídios, sobretudo a partir de 2018”, completa. “Juntando o fator demográfico, uma mudança qualitativa na gestão da segurança pública em alguns territórios e essa acomodação na grande guerra do narcotráfico, acho que eles conspiraram a favor da redução de mortes no Brasil”.
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Veja a taxa de homicídios por 100 mil habitantes em cada estado
Amapá — 45,7;
Bahia — 40,9;
Pernambuco — 37,3;
Alagoas — 35,9;
Ceará — 34,3;
Amazonas — 32,2;
Maranhão — 31,1;
Rondônia — 30,3;
Mato Grosso — 29,1;
Roraima — 27,8;
Pará — 27,4;
Espírito Santo — 26;
Paraíba — 25,7;
Rio Grande do Norte — 23,5;
Sergipe — 23;
Piauí — 20,6;
Rio de Janeiro — 20,4;
Acre — 20,2;
Tocantins — 19,8;
Paraná — 18,6;
Goiás — 18,4;
Mato Grosso do Sul — 18,3;
Rio Grande do Sul — 15,2;
Minas Gerais — 12,8;
Distrito Federal — 10,3;
Santa Catarina — 8,1;
São Paulo — 6,6.
SSP-BA se manifesta
Através de nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) da Bahia destacou que o estado registrou redução consecutiva das mortes violentas nos anos de 2023, 2024 e 2025. Segundo a pasta, em 2024, ano-base da pesquisa, houve queda de 8,7% nos crimes graves contra a vida, como homicídio, latrocínio e lesão dolosa seguida de morte. A SSP também ressaltou os investimentos do Governo da Bahia na modernização das forças de segurança, com a contratação de 9,5 mil policiais.
NOTA
A Secretaria da Segurança Pública da Bahia destaca que as mortes violentas apresentaram reduções consecutivas nos últimos três anos (2023, 2024 e 2025) no estado.
Em 2024 (ano base da pesquisa), a Polícia contabilizou uma queda de 8,7% nos registros de crimes graves contra a vida (homicídio, latrocínio e lesão dolosa seguida de morte).
Ressalta também o compromisso do Governo do Estado no permanente investimento na modernização, qualificação e ampliação dos efetivos. Em pouco mais de três anos, 9.500 policiais, peritos e bombeiros foram contratados, além da construção de novas estruturas, aquisição de viaturas, armamentos e softwares de investigação.
Por fim, a SSP enfatiza que as ações de combate à criminalidade continuarão norteadas pela inteligência e intensificadas em todo o território baiano.
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