Demanda por refrigeração de ambientes deve triplicar até 2050, afirma ONU
Por Yasmin Mota | 12/11/2025 09:36 e atualizado em 13/11/2025
Foto: Bruno Peres / Agência Brasil
Resumo da notícia
- Segundo o Global Cooling Watch 2025 do Pnuma, a demanda por refrigeração deve triplicar até 2050, dobrando as emissões de gases de efeito estufa do setor, que podem chegar a 7,2 bilhões de toneladas de CO₂e.
- O aumento da população e das ondas de calor levará famílias de baixa renda a recorrerem a aparelhos poluentes e ineficientes, ampliando desigualdades e vulnerabilidades, especialmente entre mulheres, pequenos agricultores e idosos.
- A ONU defende refrigeração eficiente e acessível, com foco em design passivo, ventilação natural, uso de energia solar e redução de HFCs. Medidas assim podem reduzir em até 97% as emissões e economizar US$ 43 trilhões até 2050.
Com um planeta cada vez mais quente, a demanda por refrigeração de ambientes deve triplicar até 2050, levando ao dobro de emissões de gases-estufa relacionadas à operação dos aparelhos.
Os dados são do Global Cooling Watch 2025, novo relatório do Pnuma, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, divulgado nesta terça-feira (11), durante a COP30 em Belém.
O documento indica que o aumento da população e dos extremos de calor fará com que mais famílias de baixa renda tenham acesso a sistemas de refrigeração mais poluentes e ineficientes. A projeção é de que as emissões causadas pelos aparelhos serão de 7,2 bilhões de toneladas de carbono (CO2e) em 2050, mais do que o dobro do registrado em 2022.
A ONU aponta que há caminhos para evitar esse cenário, com o uso de equipamentos mais eficientes e combinando ventiladores com aparelhos de ar condicionado. Se isso for feito, a estimativa será de 64% menos emissões do setor na metade do século, o que evitaria US$ 43 trilhões em gastos com energia e infraestrutura e protegeria 3 bilhões de pessoas.
Caso haja uma descarbonização rápida do setor de energia, a poluição seria 97% menor.
Inger Andersen, diretora-executiva do Pnuma, defende que o acesso ao resfriamento seja tratado como uma infraestrutura essencial, assim como água e saneamento, diante de ondas de calor mais frequentes e extremas.
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“Mas não podemos resolver a crise do calor apenas com ar-condicionado, o que aumentaria as emissões de gases de efeito estufa, elevaria os custos e aumentaria as substâncias que danificam a camada de ozônio”, disse. Outra preocupação é com o aumento do uso de energia, que pode causar apagões.
Mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo sofrem com falta de refrigeração adequada, segundo o Pnuma, número que também deve triplicar até 2050. A vulnerabilidade é maior nos grupos de baixa renda e com maior risco, como mulheres, pequenos fazendeiros e idosos, de acordo com o relatório.
Andersen afirma que soluções com alta eficiência energética e baseadas na natureza podem ajudar a atender à demanda crescente e proteger as pessoas enquanto o mundo trabalha para conter as temperaturas.
Algumas sugestões do relatório são:
– investir em resfriamento passivo, com design inteligente de paredes, telhados, vidraças, sombreamento e ventilação
– soluções de baixo consumo energético, incluindo ventiladores, ar-condicionado híbrido e soluções solares off-grid
– rápida redução do uso de hidrofluorcarbonetos (HFCs), que agravam o aquecimento global e foram adotados como substitutos aos CFCs, causadores do buraco da camada de ozônio
O Pnuma prevê que o estresse térmico poderá inviabilizar 80 milhões de empregos em tempo integral até 2030. O acesso ao resfriamento sustentável, assim, determinará se empresas, escolas, hospitais e outras instalações terão a capacidade de seguir funcionando.
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