Governo federal afirma que 65% dos professores da educação básica ficarão isentos do Imposto de Renda
Por Hamurabi Dias | 14/11/2025 15:58 e atualizado em 14/11/2025
Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados
Resumo da notícia
- O governo afirmou que a nova faixa de isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil, prevista para 2026, deve beneficiar 65% dos professores da educação básica. Representantes do MEC apontaram dificuldades para ampliar a isenção: impacto fiscal para estados e municípios, já que parte do IR é destinada à educação; e risco de abrir precedentes para outras categorias. Também mencionaram que a Constituição proíbe tratamento tributário diferenciado por categoria profissional.
- O governo argumenta que isentar todos os professores seria regressivo, beneficiando mais quem recebe salários altos, como docentes do ensino superior (média superior a R$ 11 mil). Especialistas defendem que a valorização deveria ocorrer via remuneração, pois muitos professores não recebem nem o piso nacional. Sugestões incluem incluir aposentados e elevar o limite de isenção para até R$ 10 mil.
- O relator, deputado Maurício Carvalho, afirmou que considerará todas as contribuições para aprimorar o texto. O autor, deputado Rubens Otoni, destacou que o projeto abre espaço para discutir a valorização do magistério, citando a baixa atratividade da carreira entre os jovens.
Em audiência pública da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, na última quarta-feira (12), representantes do governo informaram que a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, que vai vigorar a partir de 2026, deve atingir 65% dos professores da educação básica. A audiência debateu projeto de lei que isenta todos os professores da educação infantil, fundamental, média e superior em efetivo exercício (PL 165/22).
Armando Simões, do Ministério da Educação, disse que existem alguns problemas na ampliação da isenção. Ele lembrou que a arrecadação do Imposto de Renda de servidores estaduais e municipais fica com os estados e municípios. Portanto, a medida teria um impacto fiscal significativo para esses entes. Além disso, 25% da arrecadação deve ser destinada à educação.
Para o governo, também há problema em criar uma exceção para uma categoria profissional, porque abriria espaço para que outros segmentos reivindicassem o mesmo. Armando Simões citou as áreas de saúde e de segurança pública.
Constituição
Segundo ele, o artigo 150 da Constituição deixa muito claro que é vedado à União, aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente. “E aí é textual, a Constituição proíbe qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida.”
Armando Simões afirmou ainda que a isenção para todos os professores beneficiaria principalmente os que ganham mais, como os professores da educação superior, resultando em uma medida regressiva.
Thomaz Jensen, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), disse que a média salarial destes professores é superior a R$ 11 mil.
✅📲 AQUI A NOTÍCIA CHEGA PRIMEIRO: Seu novo portal de notícias de Feira de Santana e região! Entre no nosso grupo do WhatsApp e receba as principais notícias na palma da mão!
>> Siga o perfil oficial do T Notícias no Instagram para mais informações.
Valorização
Para André Martins, do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior, é mais importante valorizar os professores por meio da remuneração. Ele lembrou que muitos não ganham o piso nacional da categoria, de R$ 4.867,77. Sobre o projeto, disse que é importante não deixar os aposentados de fora e talvez limitar a isenção a R$ 10 mil.
O relator do projeto, deputado Maurício Carvalho (União-RO), antecipou que vai levar todas as contribuições em consideração.
“O objetivo é encontrar caminhos que realmente façam a diferença para quem está na sala de aula. Quando um país valoriza os seus professores, ele melhora tudo. A qualidade do ensino, a economia e o futuro das próximas gerações”, disse.
O autor do projeto, deputado Rubens Otoni (PT-GO), disse que a proposta é importante ao abrir uma nova frente de debate sobre a necessidade de valorização do magistério. Segundo ele, os jovens têm rejeitado a carreira.
Com informações da Agência Câmara de Notícias.
Acompanhe nas redes sociais: Band FM, Jovem Pan FM e TransBrasil FM. Também estamos presentes no grupo do WhatsApp.
leia também