Mãe Maria Pequena de Ogum recebe título de Doutora Honoris Causa na UEFS
Por Hamurabi Dias | 29/05/2026 15:05 e atualizado em 29/05/2026
Foto: Edvan Barbosa/ASCOM/UEFS
Resumo da notícia
- A Universidade Estadual de Feira de Santana concedeu o título de Doutora Honoris Causa à Mãe Maria Pequena de Ogum, reconhecendo sua trajetória de mais de 50 anos dedicada à preservação da cultura afro-brasileira, da ancestralidade e da educação popular.
- Durante a cerimônia no Teatro da UEFS, a reitora Amali Mussi destacou que a homenagem simboliza o fortalecimento das políticas de inclusão, o combate ao racismo religioso e o reconhecimento dos saberes ancestrais dentro da universidade.
- O evento reuniu comunidade acadêmica, lideranças religiosas e representantes da sociedade civil, com apresentação da Orquestra Aguidavi do Jêje. Esta foi a quinta vez que a UEFS concedeu a honraria de Doutor Honoris Causa.
A Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) oficializou, na quinta-feira (28), a entrega do título de Doutora Honoris Causa à Mãe Maria Pequena de Ogum. Em sessão do Conselho Universitário (Consu) realizada no Teatro da instituição, a cerimônia celebrou a trajetória da sacerdotisa como guardiã de saberes ancestrais e sua liderança à frente do Terreiro de Umbanda Maria de Ogum de Ronda.
Aos 85 anos, a homenageada, nascida em São Gonçalo dos Campos e radicada em Feira de Santana, recebeu a honraria máxima da academia em reconhecimento aos seus mais de 50 anos de dedicação à cultura, à educação popular e à preservação da memória afro-brasileira.
A sessão do Consu foi presidida pela reitora da UEFS, Amali Mussi, que destacou o ato como símbolo do fortalecimento das políticas de inclusão no marco do cinquentenário da universidade.
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“Ao celebrar 50 anos, a UEFS reafirma seu papel social ao reconhecer que o saber acadêmico deve reverência à ancestralidade. A outorga deste título à Mãe Maria Pequena de Ogum não é apenas uma homenagem, mas um ato de reparação e combate ao racismo religioso. Estamos transformando a universidade em um espelho fiel do seu povo, integrando o conhecimento dos terreiros à excelência científica. Hoje, nossa instituição torna-se mais sábia, plural e democrática ao acolher uma liderança que transmutou espiritualidade em cidadania e resistência cultural”, destacou a reitora.
Ao receber as honrarias acadêmicas, Mãe Maria Pequena de Ogum enfatizou o caráter coletivo do título. “É uma honra ser recebida com muita segurança e amor nesta instituição. Sinto uma felicidade imensa por estar com todos vocês aqui para me celebrar e acolher. Como professora espiritual, sigo na luta para cuidar deste povo, tratando não apenas das questões materiais, mas do acolhimento espiritual necessário para enfrentar as dores da vida”, disse a homenageada.
A vice-reitora da UEFS e vice-presidente do Consu, Rita Brêda, enfatizou que a honraria reflete o compromisso da instituição com a pluralidade e o combate às discriminações. “A entrega deste título à Mãe Maria Pequena de Ogum é simbólica e representativa, especialmente nos 50 anos da UEFS. É a universidade reconhecendo saberes ancestrais e histórias que antecederam as lutas de povos historicamente marginalizados. Ao oferecer esse reconhecimento aos modos de ser e fazer de uma pessoa de povos ancestrais, a academia se rende aos saberes populares e religiosos sob a perspectiva da diversidade”.
Patrimônio imaterial
A proposição do título, apresentada pelo professor Jeanderson Santos, do curso de Licenciatura em Música da Universidade, fundamentou-se na riqueza litúrgica e artística da unidade religiosa.
”A concessão deste título é um momento de abertura e evolução para a universidade, que em seus 50 anos de história, volta o olhar para si mesma para se tornar ainda mais plural. Mãe Maria possui uma trajetória de meio século reconhecida por sua comunidade e, ao acolher seus saberes — que unem música, tradição e ancestralidade, a UEFS amplia seus horizontes acadêmicos. É um feito histórico que integra conhecimentos de matrizes africanas ao centro do debate universitário, consolidando um novo entendimento sobre a produção de saber em nossa instituição”, considerou o docente.
O evento reuniu a comunidade acadêmica, lideranças religiosas, representantes políticos e da sociedade civil. A cerimônia contou ainda com a apresentação cultural da Orquestra Aguidavi do Jêje.
A outorga à Mãe Maria Pequena de Ogum marca a quinta vez que a UEFS concede o título de Doutor Honoris Causa. A honraria já foi entregue a personalidades como os professores Heron Sávio Sobral (1994) e Jairnilson Silva Paim (1997), ao escritor Antônio Torres (2018) e à liderança do Movimento Negro Unificado e da Frente Negra Feirense, Ivannide Rodrigues Santa Bárbara (2023).
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