Paciente intoxicado por metanol recebe alta após tratamento com vodca russa
Por Yasmin Mota | 13/10/2025 12:02 e atualizado em 13/10/2025
Foto: Reprodução/ Arquivo Pessoal
Resumo da notícia
- O comerciante Cláudio Crespi, de 55 anos, foi internado em estado grave após ingerir vodca contaminada com metanol em um bar de São Paulo. Ele sofreu sérias sequelas, como perda de 90% da visão, e precisou de hemodiálise.
- Sem acesso ao antídoto adequado no hospital, os médicos usaram vodca russa administrada por sonda como substituto emergencial de etanol, procedimento reconhecido em casos de intoxicação por metanol. O tratamento ajudou a estabilizá-lo.
- Após quase duas semanas internado, incluindo coma e passagem pela UTI, Cláudio recebeu alta e segue com acompanhamento médico. A família pede ações das autoridades para evitar novos casos.
O comerciante Cláudio Crespi, de 55 anos, um dos casos confirmados de intoxicação por metanol no estado de São Paulo, recebeu alta do hospital neste domingo (12) depois de quase duas semanas internado. Ele, que teve sequelas após a contaminação e precisou fazer hemodiálise, tem cerca de 10% da visão.
“Muita gratidão a Deus, aos médicos e a todos que torceram pela recuperação. Agora é dar continuidade no tratamento da visão e confiamos nas autoridades públicas para que faça o que for preciso para que não haja mais vítimas”, afirmou Crespi após deixar o hospital.
Em 26 de setembro, o comerciante passou mal após beber vodca em um bar. No dia seguinte, Cláudio piorou e precisou ser internado.
A advogada Camila Crespi, sobrinha do comerciante, lembra que ele foi levado às pressas para a UPA da Vila Maria, na Zona Norte, e uma médica apontou a suspeita de metanol no paciente, que foi entubado. O problema: o hospital não tinha o antídoto que combateria a intoxicação.
A solução, foi encontrada na casa da sobrinha que tinha uma garrafa de vodca russa com 40% de teor alcoólico que era usada como decoração pela família havia cinco meses.
“O hospital não tinha o antídoto. Eu fui buscar uma vodca em casa. Estava fechada. Eu e meu marido não bebemos, e a vodca russa estava em casa fechada e pronta para o meu tio usar. Na hora do desespero, a médica pediu um destilado e lembramos que tinha essa em casa”, conta Camila, que tinha ganhado a bebida de uma amiga.
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Os médicos usaram a vodca, segundo a sobrinha, por cerca de quatro dias no ambiente controlado do hospital. “Ajudou a estabilizá-lo. A hemodiálise que fez a diferença”, pontua.
Cláudio ficou em estado grave, e a mãe chegou a se despedir do filho no leito. Em 2 de outubro, porém, ele acordou do coma e, depois de quatro dias, deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
A Secretaria Municipal da Saúde da cidade de São Paulo informou que, na ocasião, o Centro de Assistência Toxicológica (Ceatox) recomendou a administração de bebida alcoólica por sonda nasogástrica no paciente.
“Protocolo reconhecido e utilizado em situações emergenciais com bons resultados clínicos. O procedimento foi acompanhado por um familiar que também é médico. A administração do antídoto (o próprio etanol) deve ser realizada em um equipamento de saúde, para impedir que o corpo transforme o metanol em substâncias tóxicas”, afirmou a pasta, em nota.
O médico hepatologista Rogério Alves, que atua no Hospital Beneficência Portuguesa e é membro da Sociedade Brasileira de Hepatologia explica que o metanol é um tipo de álcool tóxico. Depois de ingerido, no fígado, ele se transforma em formaldeído e ácido fórmico, que atacam o nervo óptico, podendo causar cegueira, e também o sistema nervoso, podendo levar à morte.
“Os principais antídotos são o fomepizol, que é o ideal, e o etanol, usado no hospital quando o fomepizol não está disponível. Também se usa hemodiálise e bicarbonato para eliminar o veneno e corrigir o sangue. O etanol bloqueia a enzima do fígado que transforma o metanol em veneno. Assim, o metanol é eliminado antes de causar dano”, explica Alves.
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