Quatro meses após mutirão na Clivan, três médicos seguem afastados e caso continua sob apuração
Por Yasmin Mota | 07/07/2026 11:00 e atualizado em 07/07/2026
Foto: Reprodução/TV Globo
Resumo da notícia
- Pacientes e familiares voltaram a protestar em frente à Clínica Clivan, em Salvador, cobrando assistência e esclarecimentos quatro meses após o mutirão oftalmológico que deixou dezenas de pessoas com sequelas.
- O Ministério Público da Bahia, a Defensoria Pública e a Polícia Civil apuram o caso. Três médicos foram afastados pela Justiça, e o Cremeb conduz sindicâncias e processos éticos sobre os atendimentos.
- A Secretaria Municipal da Saúde informou que 26 pacientes seguem em tratamento especializado, enquanto o centro cirúrgico da Clínica Clivan permanece interditado para procedimentos oftalmológicos.
Pacientes e familiares de pessoas afetadas durante um mutirão oftalmológico realizado na Clínica Clivan, em Salvador, voltaram a protestar na manhã desta segunda-feira (6), em frente à unidade de saúde. Quatro meses após os procedimentos, os manifestantes cobram assistência dos órgãos responsáveis e respostas sobre o caso.
O mutirão foi realizado em fevereiro deste ano e, segundo a Polícia Civil, atendeu 138 pacientes. As investigações apontam que pelo menos 33 pessoas sofreram perda parcial e irreversível da visão, além de outras complicações de saúde.
Investigações
As responsabilidades pelos danos continuam sendo apuradas pelo Ministério Público da Bahia (MPBA), com acompanhamento da Defensoria Pública.
De acordo com o MPBA, são adotadas medidas para verificar a relação entre os procedimentos realizados e os problemas de saúde relatados pelos pacientes, além da coleta de informações técnicas sobre as condições de funcionamento da clínica.
Três médicos investigados foram afastados por decisão da Justiça. Também foi cumprido um mandado de busca e apreensão na sede da Clínica Clivan, localizada na Avenida Garibaldi, onde ocorreram os atendimentos.
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O Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) informou que o caso é alvo de procedimentos em andamento. Em nota, o órgão afirmou que “tramitam no Tribunal de Ética Médica uma denúncia em análise de admissibilidade, seis sindicâncias instauradas e dois processos”.
O Cremeb ressaltou que, por determinação do Código de Processo Ético-Profissional, os procedimentos tramitam sob sigilo e que eventuais sanções públicas só serão divulgadas após decisão definitiva.
Acompanhamento das vítimas
A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) informou que a Clínica Clivan não disponibiliza vagas para a rede estadual desde dezembro de 2025 e afirmou que nenhum dos pacientes envolvidos foi encaminhado pela regulação estadual.
Já a Secretaria Municipal da Saúde de Salvador (SMS) informou que 26 pacientes seguem em acompanhamento especializado. Segundo a pasta, a assistência é prestada conforme a necessidade clínica de cada caso.
Ainda de acordo com a SMS, os pacientes com perda parcial ou total da visão estão em processo de reabilitação, com planos terapêuticos individualizados. A secretaria acrescentou que não divulga informações detalhadas sobre a evolução clínica dos pacientes em razão da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
A pasta informou ainda que o centro cirúrgico da Clínica Clivan permanece interditado e sem autorização para realizar procedimentos oftalmológicos.
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