Santa Casa de Feira de Santana realiza primeira cirurgia de reabilitação de voz pelo SUS no interior da Bahia
Por Hamurabi Dias | 03/05/2026 08:39 e atualizado em 03/05/2026
Foto: Shirlley Santos
Resumo da notícia
- A Santa Casa de Misericórdia de Feira de Santana realizou, no Hospital Dom Pedro de Alcântara, a primeira cirurgia de reabilitação de voz no interior da Bahia pelo SUS, devolvendo a fala a um paciente após retirada total da laringe.
- O idoso de 80 anos passou por implantação de prótese traqueoesofágica e, poucos dias após o procedimento, já apresenta boa adaptação e consegue se comunicar, seguindo acompanhamento médico e fonoaudiológico.
- A técnica representa avanço na reabilitação de pacientes com câncer de laringe, permitindo não apenas o tratamento, mas também a recuperação da qualidade de vida. Médicos alertam para sintomas como rouquidão persistente e destacam a importância do diagnóstico precoce.
O aposentado João da Silva, de 80 anos, é o primeiro paciente no interior da Bahia a voltar a falar graças à cirurgia de reabilitação fonatória com a instalação de uma prótese. Ele enfrentou um câncer de garganta agressivo e, por esta razão, foi submetido a uma laringectomia total – procedimento cirúrgico realizado em estágios avançados de câncer na laringe que envolve a remoção de sua caixa de voz.
O primeiro procedimento do tipo realizado pelo SUS foi feito no Hospital Dom Pedro de Alcântara, mantido pela Santa Casa de Feira de Santana.
Dez dias após o procedimento, os cirurgiões de cabeça e pescoço Leonardo Rios e Mariana Cedro, responsáveis pelo tratamento, consideram excelente a recuperação do paciente que teve alta médica no último dia 23 de abril. Na última terça-feira (28) João retornou ao hospital para o acompanhamento e os exercícios que ensinam como voltar a falar.
“Ele está muito bem, já adaptado à prótese e se comunicando com clareza. Tem realizado os exercícios com acompanhamento rigoroso da nossa equipe e irá iniciar em breve o acompanhamento com o fonoaudiólogo da equipe da nossa Unacon, Adriano Zenir”, avalia a médica Mariana Cedro que também é otorrinolaringologista.
Paciente da Unidade de Alta Complexidade em Oncologia, Unacon de Feira de Santana, João perdeu a capacidade da fala após a cirurgia de retirada total da laringe – necessária para tratar um câncer agressivo na garganta.
Uma das causas prováveis da doença é associada ao cigarro, já que o paciente fumou durante quase toda a sua vida, um hábito adquirido ainda na adolescência, conforme relato da família.
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CIRURGIA INÉDITA
A equipe médica implantou uma prótese traqueoesofágica para reabilitação da fonação do paciente. A técnica proporciona a recuperação da fala, uma ferramenta fundamental para a sua comunicação e integração à sociedade.
O cirurgião Leonardo Rios destaca a importância da reabilitação vocal para os pacientes vítimas de câncer de laringe. “A voz é uma ferramenta extremamente relevante porque permite que o paciente se comunique com as outras pessoas. Além disso, é um traço da nossa identidade pessoal, a voz é a principal ferramenta de conexão, que nos ajuda a ter uma função social. Imagine para seu João não conseguir conversar com suas filhas, com os demais familiares?!”, ressalta.
Os médicos explicam que casos como o de seu João não são raros. Isto se dá porque os cânceres na região da cabeça e pescoço geralmente apresentam, no início, apenas sintomas brandos, que passam de forma despercebida pela grande maioria. “Em geral, os pacientes só procuram atendimento médico quando o câncer já está mais avançado”, lamenta o dr. Leonardo.
O cirurgião faz um chamado à população: “pequenos sinais como, por exemplo, rouquidão ou dor ao deglutir, sintomas estes que não melhoram em três semanas. Neste casos, é importante que o paciente procure logo a assistência à saúde. Se diagnosticado de forma precoce, o câncer de laringe pode ser tratado com radioterapia e com cirurgias parciais, que não levam à perda definitiva da voz”, alerta.
“Estamos felizes pela realização deste procedimento aqui na Santa Casa por que esta cirurgia permite a reabilitação do paciente no âmbito do SUS, que antes apenas tratava o câncer. Agora, também podemos fazer a reabilitação. Esta é uma conquista”, comemora a médica Mariana Cedro. “Devolvemos o paciente à sociedade para que ele possa se comunicar, se conectar, ter a sua identidade de volta, isso é muito importante”, completa Leonardo Rios.
Além dos cirurgiões, a equipe responsável pelo procedimento de reabilitação fonatória foi integrada por outros profissionais: Dra. Ruth Camarão, anestesista; Manuela Cerqueira, instrumentadora cirúrgica; Vilma Luciene, enfermeira; e Karoline Souza, técnica de Enfermagem.
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