Ação em cinco estados investiga ligação do PCC com setor de combustíveis
Por Hamurabi Dias | 28/05/2026 17:44 e atualizado em 28/05/2026
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Resumo da notícia
- Uma operação do Gaeco e da Receita Federal foi deflagrada em cinco estados para investigar a infiltração da facção criminosa Primeiro Comando da Capital no setor de combustíveis, com foco em fraudes, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro.
- As investigações apontam que seis fintechs atuavam como “bancos paralelos”, realizando compensações financeiras entre distribuidoras, postos de combustíveis e fundos ligados ao crime organizado, além de envolvimento em adulteração de combustíveis com nafta.
- Segundo o Ministério da Fazenda, o esquema movimentou cerca de R$ 26 bilhões nos últimos anos, incluindo operações com dinheiro em espécie e uso de criptoativos para lavagem de dinheiro. Ao todo, estão sendo cumpridos 55 mandados de busca e apreensão em vários estados do país.
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e a Receita Federal fazem uma operação nesta quinta-feira (28) em São Paulo, no Paraná, em Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e no Rio de Janeiro para investigar a infiltração do Primeiro Comando do Crime (PCC) no setor de combustíveis. O objetivo é desmontar um esquema de fraudes, sonegação e lavagem de dinheiro no setor.
O foco principal das autoridades é sobre seis fintechs – que atuam como bancos paralelos – e também para comprovar a adulteração de combustível com uso de solvente (nafta).
A operação tem o nome de Fluxo Oculto e é uma nova fase da Carbono Oculto, que revelou o avanço do crime organizado no mercado de combustíveis, instituições de pagamento e de investimentos.
As investigações do Ministério Público de São Paulo identificaram que as seis fintechs alvos da operação formaram um núcleo que funciona com compensações financeiras internas entre distribuidoras e postos de combustíveis e fundos de investimentos administrados pelo PCC.
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A facção criminosa atua também no desvio de nafta petroquímico para terminais e postos de combustíveis, criando uma estrutura forte para venda de solventes a empresas fantasmas.
Estão sendo cumpridos 55 mandados de busca e apreensão, com apoio dos Gaecos, dos ministérios públicos do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e do Paraná.
Fraude bilionária
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, comentou a operação na manhã desta quinta-feira (28). Em declaração a jornalistas, na portaria do ministério, Durigan afirmou que a Receita Federal identificou uma movimentação de R$ 26 bilhões no esquema fraudulento envolvendo essas fintechs.
“O início é a adulteração de combustível, sonegação fiscal na importação de nafta que, de fato, leva à identificação de uma movimentação de algo como R$ 1 bilhão em espécie pra algumas dessas fintechs, em uma movimentação total de 26 bilhões em seis fintechs nos últimos anos, o que acende o sinal de alerta nos órgãos de inteligência”.
Fintechs são empresas de tecnologia com atuação no mercado financeiro, que oferecem, por meio de plataformas online, serviços de crédito, pagamento, gestão financeira, empréstimo e investimento.
Durigan afirmou também que os órgãos fiscalizadores identificaram o uso de criptoativos na lavagem de dinheiro. Criptoativos são ativos virtuais, protegidos por criptografia, presentes exclusivamente em registros digitais. Ou seja, não há dinheiro físico em operações envolvendo criptoativos.
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