Ministério Público processa Virginia Fonseca e Blaze e pede indenização de R$ 120 milhões
Por Yasmin Mota | 10/07/2026 11:12 e atualizado em 10/07/2026
Foto: Divulgação
Resumo da notícia
- O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios acionou a influenciadora Virginia Fonseca e a casa de apostas Blaze, pedindo indenização mínima de R$ 120 milhões por danos morais coletivos.
- O MP aponta que Virginia teria divulgado apostas sem identificar o conteúdo como publicidade, induzindo seguidores ao jogo, além de supostamente receber percentual das perdas dos usuários indicados.
- A ação solicita a retirada de conteúdos considerados irregulares, campanhas educativas sobre os riscos das apostas e multa diária de R$ 500 mil em caso de descumprimento.
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) entrou nesta quinta-feira (9) com uma ação civil pública contra a influenciadora Virginia Fonseca e a casa de apostas Blaze. O órgão pede condenação por danos morais coletivos de no mínimo R$ 120 milhões e medidas para restringir a publicidade irregular de apostas.
A ação foi protocolada no TJDFT após investigação aberta em 2023, quando a Blaze ainda operava sem autorização federal. O MP reuniu mais de 42 mil reclamações de consumidores sobre retenção de valores, bloqueio de contas e dificuldade para sacar depósitos.
Um dos episódios citados ocorreu durante a Copa do Mundo 2026. Segundo o MP, Virginia publicou nos stories do Instagram uma aposta na vitória de Cabo Verde sobre a Argentina sem sinalizar que era publicidade. Para o órgão, a postagem simulava uma recomendação espontânea e poderia induzir seguidores a apostar. A ação afirma ainda que a influenciadora recebia 30% das perdas dos usuários atraídos.
“Trata-se de uma engenharia predatória de exploração de vulnerabilidades cognitivas em escala massiva”, diz um trecho do processo.
O MP estima que a Blaze movimente cerca de R$ 600 milhões por ano em receita bruta. O processo cita ainda inquérito da Polícia Civil de MT que aponta uso de influenciadores para prometer ganhos rápidos. Servidores do MP criaram contas na plataforma para monitorar campanhas da operadora.
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Além da indenização, o MP pede que Virginia e a Blaze financiem campanhas sobre riscos de apostas, superendividamento e ludopatia. Também solicita a remoção imediata de conteúdos com promessas de lucro e publicidade disfarçada, sob pena de multa diária de R$ 500 mil.
Em nota, o promotor Paulo Binicheski disse que o caso “ultrapassa a publicidade irregular” e envolve saúde pública. “A falsa percepção de ganhos fáceis pode estimular o comportamento compulsivo e gerar perdas milionárias”, afirmou.
Virginia já foi alvo da CPI das Bets. Em 2025, a relatora Soraya Thronicke pediu o indiciamento dela por estelionato e propaganda enganosa. A defesa negou ilícitos e disse que ela atuou dentro da legalidade.
Procurada, a defesa de Virginia disse que soube da ação pela imprensa e vai se manifestar nos autos. A Foggo Entertainment, que opera a Blaze no Brasil, afirmou que ainda não foi notificada e que cumpre a legislação.
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